“Achei que lugares de poder não eram para pessoas como eu” diz primeira promotora trans do Brasil que tomará posse no Amazonas
Natural de Mato Grosso do Sul, professora e advogada toma posse no Ministério Público do Amazonas e se torna a primeira mulher trans a assumir o cargo de promotora de Justiça no país.
- Fabi Diniz de Queiroz Pilate foi empossada como promotora de Justiça substituta pelo MP do Amazonas, tornando-se a primeira mulher trans a ocupar o cargo no Brasil.
- Natural de Paranaíba (MS), ela estudou em escola pública e construiu a carreira por quase 10 anos em assessorias jurídicas ligadas ao Ministério Público.
- Antes da posse, relatou que por muito tempo acreditou que “lugares de poder” não eram para pessoas como ela e que só reconheceu sua identidade como mulher trans depois dos 40 anos.
- A nomeação é vista como marco de representatividade, em meio a desafios e ao cenário de violência contra a população trans; a cerimônia ocorre em Manaus com a posse de seis novos promotores substitutos.
Este resumo foi gerado automaticamente por inteligência artificial.
- (Foto: Reprodução)
Notícias do Amazonas- A posse de Fabi Diniz de Queiroz Pilate como promotora de Justiça substituta do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) marca um momento histórico para o sistema de Justiça brasileiro. Nesta sexta-feira (31), ela se torna oficialmente a primeira mulher trans a ocupar o cargo de promotora de Justiça no país.
Natural de Paranaíba, em Mato Grosso do Sul, Fabi estudou em escola pública antes de ingressar no curso de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Professora e advogada, ela construiu sua carreira atuando por quase dez anos em assessorias jurídicas ligadas ao Ministério Público.
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“Achei que esse lugar não era para mim”
Em entrevistas concedidas antes da posse, Fabi contou que durante grande parte da vida acreditou que jamais ocuparia um cargo de destaque no sistema de Justiça.
“Achei que lugares de poder não eram para pessoas como eu.”
Segundo ela, esse sentimento atrasou sua trajetória profissional e refletia a falta de representatividade de pessoas trans em espaços públicos de decisão.
Fabi revelou ainda que só reconheceu sua identidade como mulher trans depois dos 40 anos. Antes disso, se identificava como um homem cisgênero gay afeminado.
Leia mais: Saiba quem é a primeira promotora trans do Brasil empossada no Amazonas
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Apoio da família e desafios da transição
Casada há 15 anos, a promotora afirmou que encontrou no companheiro o suporte necessário durante o processo de transição. Apesar do apoio familiar, contou que enfrentou situações marcadas pelo preconceito.
Segundo Fabi, os olhares de estranhamento e a reação de pessoas desconhecidas foram algumas das experiências mais difíceis vividas ao longo dessa mudança.
Posse representa marco histórico
Para Fabi, assumir o cargo vai além de uma conquista pessoal. Ela considera que sua nomeação representa um avanço para grupos que, historicamente, tiveram pouco acesso aos espaços de poder e às carreiras jurídicas.
A promotora também chamou atenção para os altos índices de violência registrados contra a população trans no Brasil, especialmente contra mulheres trans, cuja expectativa de vida permanece entre as mais baixas do mundo.
Cerimônia acontece em Manaus
A solenidade de posse acontece na sede do Ministério Público do Amazonas, em Manaus, e será conduzida pela procuradora-geral de Justiça, Leda Mara Nascimento Albuquerque. Ao todo, seis novos promotores de Justiça substitutos aprovados em concurso público serão empossados.
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