Amazonas adota suspensão temporária da vacina contra a dengue do Laboratório Butantan
Medida preventiva segue determinação do Ministério da Saúde após investigação de eventos adversos registrados no país.
- Foto: Divulgação
Resumo
O Amazonas suspendeu temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan após orientação do Ministério da Saúde. A decisão ocorre enquanto autoridades sanitárias investigam notificações de eventos adversos graves registrados no Brasil. No estado, mais de 5,7 mil doses já foram aplicadas sem registro de mortes relacionadas ao imunizante.
Notícias do Amazonas – A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da estratégia de vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida acompanha a determinação do Ministério da Saúde e foi adotada de forma preventiva após avaliação conjunta das autoridades sanitárias federais e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Segundo a FVS-RCP, a interrupção da vacinação ocorre enquanto são aprofundadas as investigações sobre eventos adversos registrados após a aplicação do imunizante em diferentes regiões do país. A suspensão não representa uma perda de confiança na eficácia da vacina, mas faz parte dos protocolos de segurança adotados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
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Casos em investigação motivaram suspensão
A decisão foi tomada após a notificação de 42 casos considerados sinais de alerta em pessoas vacinadas. Entre os sintomas relatados estão dor abdominal intensa, episódios persistentes de vômito e sangramentos.
Dos registros analisados pelas autoridades de saúde, três foram classificados como graves. Entre eles estão dois óbitos que seguem sob investigação para determinar se existe relação direta com a aplicação da vacina.
Os casos foram identificados por meio do sistema de farmacovigilância, ferramenta utilizada rotineiramente para monitorar a segurança de vacinas e medicamentos distribuídos na rede pública de saúde.
Amazonas aplicou mais de 5 mil doses
No Amazonas, a vacina vinha sendo ofertada prioritariamente para profissionais da Atenção Primária à Saúde. De acordo com a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, o estado recebeu 25.580 doses do imunizante e já aplicou 5.780 delas.
Apesar das notificações registradas nacionalmente, a dirigente destacou que não houve mortes relacionadas à vacina no estado.
“Das 25.580 doses recebidas pelo estado, 5.780 já foram aplicadas e houve a notificação de 84 eventos supostamente atribuídos à vacinação ou imunização (Esavi), sem nenhum óbito relacionado ao imunizante”, informou Tatyana Amorim.
A presidente da fundação ressaltou que a suspensão temporária demonstra o compromisso das autoridades sanitárias com a segurança da população e com o acompanhamento rigoroso de todos os imunizantes utilizados no SUS.
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Monitoramento continuará durante suspensão
Mesmo com a interrupção da vacinação, a vigilância dos vacinados seguirá normalmente. A gerente de Imunização da FVS-RCP, Angela Desirée, explicou que o estado iniciará um acompanhamento mais próximo das pessoas que receberam a vacina recentemente.
Segundo ela, aproximadamente 916 pessoas que foram imunizadas nos últimos 21 dias serão monitoradas pelas coordenações municipais de imunização.
Leia mais: Ministério da Saúde suspende vacina da dengue após registro de casos graves
“O acompanhamento é fundamental para identificar qualquer possível evento adverso e garantir assistência adequada às pessoas vacinadas”, destacou.
A estratégia busca ampliar a coleta de informações que possam auxiliar as investigações conduzidas pelos órgãos de saúde.
Vacinação continua sendo ferramenta essencial
A FVS-RCP reforçou que a suspensão temporária não altera a importância das vacinas no combate às doenças infecciosas. Segundo a fundação, os imunizantes continuam sendo uma das medidas mais eficazes para prevenir complicações e reduzir mortes causadas por enfermidades transmissíveis.
As autoridades de saúde destacam que a interrupção temporária da Butantan-DV demonstra justamente o funcionamento dos mecanismos de controle e monitoramento existentes no SUS. A retomada da vacinação dependerá da conclusão das análises conduzidas pelo Ministério da Saúde, Anvisa e demais órgãos responsáveis pela investigação dos casos registrados no país.
Enquanto isso, a orientação é que pessoas vacinadas recentemente procurem atendimento médico caso apresentem sintomas incomuns ou sinais considerados de alerta após a imunização.
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