Amazonas perde autonomia energética após ruptura no refino de Urucu
A mudança marca uma ruptura histórica na cadeia energética regional do Amazonas
- A mudança marca uma ruptura histórica na cadeia energética regional do Amazonas (Divulgação)
Notícias do Amazonas – O petróleo extraído da Bacia de Urucu, no município de Coari (AM), não é mais processado no próprio Amazonas. Desde o início de 2025, toda a produção tem sido enviada para refinarias no Sudeste, enquanto a Refinaria da Amazônia (Ream), localizada em Manaus, não refinou um único litro do petróleo produzido no estado este ano.
Para especialistas, a mudança marca uma ruptura histórica na cadeia energética regional, simbolizando a perda da autonomia que o estado mantinha ao explorar e refinar localmente parte de sua principal riqueza natural. O Amazonas, agora, volta a ocupar o papel de simples exportador de matéria-prima — enquanto o valor agregado do refino, a geração de empregos e os benefícios logísticos são transferidos para fora da região.
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Conforme mostrou o AM Post, que consultou economistas sobre o caso, a produção de petróleo no Amazonas já vinha diminuindo nos últimos anos. Em 2023, ela chegou a cair para menos de 30 mil barris diários. Já em 2024, recuou para menos de 10 mil barris por dia e, em 2025, nenhum litro do petróleo amazônico está sendo refinado em Manaus.
A decisão de transferir o refino para São Sebastião (SP) — a mais de 3 mil quilômetros de distância — é vista um retrocesso logístico grave. Segundo especialistas, o transporte de petróleo bruto para ser processado em outra região aumenta os custos operacionais da cadeia, gera ineficiências e pode afetar diretamente os preços dos combustíveis no Amazonas, que já enfrenta denúncias de cartel e preços abusivos.
Vale lembrar que, desde que assumiu a refinaria, o Grupo Atem passou a ser alvo de críticas tanto pelo esvaziamento progressivo da planta industrial quanto pela atuação no mercado de distribuição, onde é acusado de práticas anticoncorrenciais em Manaus, com preços uniformes em postos de combustíveis.
Além disso, na última semana, a Rede Atem chegou a ser denunciada ao Ministério de Minas e Energia e CADE por cartel e preços abusivos de combustíveis em Manaus. A denúncia foi protocolada no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e no Ministério de Minas e Energia, em Brasília, na sexta-feira (15) pelo vereador Rodrigo Guedes (Progressistas).
Alta dos combustíveis
A gasolina e diesel de Manaus figura entre os mais caros das capitais, mesmo estando em um estado que abriga a maior província petrolífera em terra firme do Brasil, a Bacia do Urucu. A ausência de concorrência justa é vista como ponto impactante diretamente no bolso dos motoristas e no orçamento familiar de milhares de pessoas.
A empresa foi procurada para comentar a paralisação das operações com petróleo de Urucu e explicar os motivos da mudança estratégica. A Ream respondeu em nota, confira:
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“A Refinaria da Amazônia (Ream) esclarece que não define os preços dos combustíveis no Amazonas. Embora tenha capacidade para atender plenamente a demanda regional, hoje a Ream responde por cerca de 30% do suprimento. Essa participação não decorre de decisão da refinaria, mas sim da escolha das distribuidoras com a alternativa da importação direta de derivados ou outras formas de aquisição no mercado. Assim, os preços finais ao consumidor refletem fatores de mercado — como custos de importação, tributos, logística e margens aplicadas por distribuidoras e postos revendedores — e não são determinados pela refinaria.
Sobre o GLP (gás de cozinha) é importante destacar que a Ream não comercializa o produto, sua atuação se limita exclusivamente ao recebimento e armazenamento do produto para entrega às distribuidoras, sem qualquer influência sobre preços ou condições de venda.
A Ream tem total interesse em adquirir o petróleo produzido em Urucu para fortalecer o abastecimento regional. No entanto, o insumo não é ofertado a preços que viabilizem essa alternativa. Em vez de atender a refinaria local, o produto é escoado para fora da região norte, ainda que isso represente prejuízo logístico e econômico. Trata-se de uma decisão que contraria a lógica de eficiência, pois seria natural priorizar o fornecimento à refinaria instalada no Amazonas. Diante desse cenário, a importação de derivados acaba se mostrando, de forma concreta, a opção mais viável para garantir o abastecimento.
A redução temporária da produção em 2024 decorreu de manutenção programada para modernização da refinaria, construída na década de 1950. O processo foi devidamente comunicado e acompanhado por todos os órgãos reguladores competentes. Mesmo nesse período – e em meio à estiagem histórica de 2023 e 2024 – a unidade manteve o abastecimento regular do mercado, sem qualquer interrupção.
Desde sua aquisição, o Grupo Atem já investiu mais de R$ 400 milhões em melhorias estruturais, com foco em segurança operacional, eficiência energética e modernização de processos. A refinaria está apta a operar de forma contínua, ajustando sua produção conforme a demanda.
O Grupo Atem reafirma seu compromisso com o desenvolvimento da Amazônia, a geração de empregos, o fortalecimento da cadeia produtiva local e o fornecimento seguro, transparente e sustentável de combustíveis para a região.”
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