Amazonas registra aumento alarmante de focos de queimadas em julho e já superou números do mesmo período de 2023
Antes do fim de julho, foram contabilizados 1.986 focos de incêndio, enquanto que em 2023, o total foi de 1.947.
- Foto: Nilmar Lage/Greenpeace/Divulgação
Em apenas 25 dias, o estado do Amazonas superou o número de focos de queimadas registrados durante todo o mês de julho do ano passado, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Até esta quinta-feira (25), foram contabilizados 1.986 focos de incêndio, enquanto em julho de 2023, o total foi de 1.947. Este aumento alarmante ocorre em meio a uma seca severa que atinge o estado, a qual especialistas preveem ser mais grave do que a registrada no ano passado, até então a mais severa do Amazonas.
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Os números são preocupantes, posicionando julho de 2024 como o segundo mês com mais focos de queimadas na série histórica do INPE, ficando atrás apenas de julho de 2020, quando foram registrados 2.119 focos. O aumento significativo reflete um cenário crítico de desmatamento e mudanças climáticas, exacerbados por condições climáticas desfavoráveis.
Os municípios que lideram o ranking de queimadas no estado são Lábrea, com 589 focos, Apuí, com 542, e Manicoré, com 173. Todas estas cidades estão localizadas no sul do Amazonas, região conhecida como “arco do fogo”, onde a incidência de queimadas é historicamente mais alta. Esses municípios têm sido constantemente monitorados, mas o controle das queimadas tem se mostrado um desafio cada vez maior.
Na terceira semana de julho, entre os dias 14 e 20, foram registrados 878 focos em todo o estado, enquanto no mesmo período de 2023, foram apenas 160, representando um aumento de 387%. O INPE também relatou que no dia 21 de julho, o estado bateu um recorde histórico com 301 focos de incêndio registrados em um único dia. Em comparação, na mesma data do ano anterior, foram registrados apenas seis focos, um aumento expressivo de 4.916%.
O impacto das queimadas vai além da devastação ambiental. As comunidades locais enfrentam problemas de saúde devido à inalação de fumaça, perda de biodiversidade e prejuízos econômicos. A situação tem levado as autoridades a intensificar as medidas de controle e prevenção. No dia 05 de julho, o governo do estado publicou no Diário Oficial um Decreto de Emergência Ambiental de 180 dias, válido para 22 municípios nas calhas do Juruá, Purus e Alto Solimões. A determinação visa mobilizar recursos e esforços para combater as queimadas que afetam gravemente o sul do estado.
Especialistas apontam que a seca severa é um dos principais fatores por trás do aumento das queimadas. A falta de chuvas reduz a umidade do solo e da vegetação, criando um ambiente propício para a propagação do fogo. Além disso, práticas ilegais de desmatamento e uso inadequado do fogo para a limpeza de pastagens também contribuem significativamente para o aumento dos focos de incêndio.
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A resposta do governo inclui a intensificação da fiscalização e aplicação de multas para atividades ilegais relacionadas às queimadas. Equipes de brigadistas e bombeiros têm sido mobilizadas para as áreas mais afetadas, com o apoio de aeronaves para o combate aéreo ao fogo. No entanto, a extensão das áreas atingidas e a velocidade com que os focos se propagam representam desafios logísticos e operacionais consideráveis.
A comunidade científica e ambientalistas têm chamado a atenção para a necessidade de políticas públicas mais robustas e eficazes, além do engajamento da população em práticas sustentáveis. A conscientização sobre os impactos das queimadas e a promoção de alternativas ao uso do fogo são fundamentais para a mitigação do problema a longo prazo.
Enquanto o Amazonas enfrenta este cenário crítico, a esperança reside na união de esforços entre governo, comunidade científica e sociedade civil para proteger a floresta amazônica, um patrimônio natural de importância global. A luta contra as queimadas e a preservação do meio ambiente são desafios que exigem ações imediatas e contínuas, visando garantir um futuro sustentável para as próximas gerações.
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