Aneel rejeita pressão da Cigás e reforça vitória da Âmbar Energia na disputa por usinas no Amazonas
Decisão enfraquece a influência do Rei do Gás e consolida avanço do grupo J&F no mercado de geração elétrica.
- Foto: Divulgação
Notícias do Amazonas – O cenário energético do Amazonas vive um momento de virada. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu, nesta terça-feira (9/9), que a Companhia de Gás do Amazonas (Cigás) não tem poder para impor condições na transferência das usinas térmicas Mauá 3 e Aparecida, localizadas em Manaus, para a Âmbar Energia — braço do grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.
A decisão representa mais uma derrota para o empresário Carlos Suarez, conhecido como o Rei do Gás, que detém 83% das ações da distribuidora e vinha tentando barrar o avanço da concorrente desde 2023, quando a Âmbar venceu a disputa bilionária pela compra de ativos da Eletrobras.
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Como começou o embate
O ponto de partida da disputa foi a venda de um pacote de usinas de geração de energia da Eletrobras. A vencedora do processo competitivo foi a Âmbar, que ofereceu R$ 4,7 bilhões pela operação. Desde então, a Cigás tenta reverter a negociação em instâncias administrativas e judiciais, alegando que, por ser a distribuidora de gás natural no Amazonas, teria de aprovar a transferência dos empreendimentos.
No entanto, a tese foi rejeitada pela Aneel. Em plenário, a diretora Agnes Maria de Aragão da Costa avaliou que os argumentos da Cigás não tinham relação direta com o ato analisado e classificou a contestação como frágil e genérica.
O peso da derrota
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A posição da Aneel frustra a estratégia da Cigás, que buscava se colocar como peça central na transação. O órgão regulador reforçou que não cabe à distribuidora interferir em contratos de geração de energia elétrica, reduzindo a influência de Suarez sobre negócios estratégicos no estado.
Essa não foi a primeira tentativa frustrada. No início do ano, a Cigás levou o caso à Justiça e contratou o escritório do ex-presidente Michel Temer para atuar na causa. Uma liminar até chegou a suspender a transferência, mas durou apenas cinco dias. O presidente do TRF-1, desembargador João Batista Moreira, derrubou a decisão.
Pouco depois, a juíza federal Jaiza Maria Pinto Fraxe condenou a empresa por litigância de má-fé, impondo multa de R$ 4,5 milhões. Em sua decisão, a magistrada apontou que os argumentos da Cigás buscavam apenas tumultuar o andamento do processo.
Consequências para o setor
O episódio reforça a ascensão da Âmbar Energia no Norte do país. Após assumir a Amazonas Energia e avançar sobre as térmicas Aparecida e Mauá 3, o grupo J&F se consolida como um dos principais players do setor na região.
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