Após queda de Maduro, venezuelanos no Amazonas ainda temem voltar à Venezuela
O Amazonas é hoje o segundo estado brasileiro com maior número de imigrantes venezuelanos, atrás apenas de Roraima.
- Foto: Ronaldo Lima
Notícias do Amazonas – Sete dias após a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, o sentimento predominante entre venezuelanos que vivem no Amazonas ainda é de cautela. Mesmo com a queda do antigo líder, famílias que buscaram refúgio no Brasil afirmam que o medo de um novo ciclo de instabilidade política impede qualquer plano imediato de retorno ao país de origem.
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O Amazonas é hoje o segundo estado brasileiro com maior número de imigrantes venezuelanos, atrás apenas de Roraima, de acordo com dados do IBGE. Em Manaus, essa presença se reflete nos abrigos, nas ruas e nos serviços de acolhimento, onde histórias de recomeço se misturam à insegurança sobre o futuro da Venezuela.
Entre essas histórias está a do engenheiro de sistemas Juan Alberto Moreno, que precisou abandonar a profissão para garantir o sustento da família. Ao lado da esposa e dos três filhos, ele chegou à capital amazonense antes do Natal e passou a viver em um abrigo mantido pela Igreja Católica, destinado exclusivamente a migrantes.
Segundo Juan Alberto, a prioridade é sobreviver, mesmo que isso signifique aceitar qualquer tipo de trabalho. A esposa, Failin Falkenhagen, que atuava como administradora na Venezuela, compartilha da mesma preocupação e avalia que ainda é cedo para celebrar mudanças políticas no país vizinho.
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Para o casal, a intervenção norte-americana não representa, por si só, uma solução definitiva. A família já decidiu que não retornará à Venezuela neste momento e planeja seguir para Curitiba, onde possui parentes estabelecidos.
No abrigo onde vivem atualmente, dos 15 moradores, 13 são venezuelanos. Nenhum deles chegou após a prisão de Maduro, mas a expectativa é de que o fluxo migratório volte a crescer. O padre Max Renaud, coordenador da Casa do Migrante, afirma que a situação política indefinida pode provocar uma nova onda de deslocamentos.
Ele aponta que, além da insegurança no país de origem, a burocracia no Brasil ainda é um desafio significativo. Em Manaus, a regularização migratória envolve órgãos estaduais e a Polícia Federal, e novos imigrantes enfrentam filas que podem levar até um mês apenas para o primeiro atendimento.
O coordenador da Associação de Venezuelanos no Amazonas (ASOVEAM), Roberto D’Angelo, avalia que a estrutura de atendimento já sofreu com sobrecarga no passado e voltou a enfrentar dificuldades após cortes de financiamento internacional, ocorridos no ano anterior.
Para ele, apesar da mudança no cenário político venezuelano, o futuro ainda é incerto. O temor é que a retirada de um regime autoritário não resulte, necessariamente, em estabilidade duradoura. Enquanto isso, milhares de venezuelanos seguem apostando no Brasil como lugar de proteção, trabalho e esperança — mesmo sem saber quando poderão, de fato, voltar para casa.
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