Após três dias, muro erguido por moradores em rua de Manaus continua no local sem intervenção
Estrutura foi construída para impedir novas invasões em área de preservação permanente; poder público notificou obra irregular

Após três dias, muro erguido por moradores em rua de Manaus continua no local sem intervenção – Foto: freepik
Notícias do Amazonas – O muro de tijolos levantado por moradores da rua Jacarezinho, no conjunto Águas Claras, Zona Norte de Manaus, continua no local três dias após sua construção, sem intervenção definitiva do poder público. A estrutura foi erguida na noite de segunda-feira (18), com recursos arrecadados pelos próprios residentes, que alegam querer impedir a ocupação irregular de uma área verde situada no fim da via.
Muro e resistência da comunidade
Segundo os moradores, a decisão de fechar a rua foi tomada após a terceira tentativa de invasão no local em menos de duas semanas. Eles afirmam que parte das pessoas envolvidas nas ocupações é remunerada por coordenadores para permanecer na área de vegetação.
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Na terça-feira (19), fiscais do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) chegaram a ir ao local para derrubar o muro, mas foram impedidos por um cordão humano formado por moradores.
“Os moradores aqui fizeram o cordão humano, não desistiram. A gente tá lutando aqui pra continuar com o muro de pé e vai continuar. É uma luta da comunidade”, disse o morador Vivaldo Corrêa.
A comunidade também apresentou um abaixo-assinado com 180 assinaturas pedindo a regularização da barreira, que teria acessos controlados para pedestres e veículos, restritos apenas aos residentes.
Notificação do Implurb
Em nota, o Implurb confirmou que recebeu denúncia da obra irregular e que notificou os responsáveis a promoverem a demolição voluntária. Segundo o órgão, qualquer fechamento de via pública precisa de autorização formal, e a mera solicitação não garante permissão para bloqueio ou construção.
“O responsável foi notificado para fazer a demolição voluntária, sob pena de demolição administrativa. Qualquer fechamento de via precisa do devido licenciamento, conforme decreto municipal”, informou.
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Conflito com invasores e ação policial
A primeira tentativa de invasão ocorreu no dia 9 de agosto. Na ocasião, nove viaturas da Polícia Militar foram acionadas para reintegrar a posse da área. Segundo relatos de moradores, a ação resultou em confrontos, com uso de bombas de efeito moral e balas de borracha.
“Diversas pessoas aqui passaram mal, desmaiaram. Eu tive que presenciar isso, inclusive tive que acudir uma moradora que desmaiou no pátio da casa dela. As filhas chorando, foi um terror”, contou Vivaldo Corrêa.
Área de preservação sob ameaça
O espaço alvo das invasões está localizado em uma Área de Preservação Permanente (APP). Moradores denunciam que, além da tentativa de ocupação irregular, crimes ambientais como queimadas e desmatamento foram cometidos no local.
Áreas de Preservação Permanente têm função essencial para a manutenção do equilíbrio ambiental, incluindo a proteção de recursos hídricos, biodiversidade e estabilidade do solo.
O Portal G1 questionou a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) sobre quais medidas serão tomadas em relação aos danos ambientais e à responsabilização dos invasores. Até a última atualização desta reportagem, não houve resposta.
Veja também: UEA lidera monitoramento histórico no rio Madeira e aponta riscos ambientais
Por: Mayara Leite – Redatora Seo On
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