Apuí abriga as terras raras mais puras do planeta, aponta estudo internacional
A avaliação foi solicitada pela Brazilian Critical Minerals (BBX), empresa responsável pelo projeto de extração no município.
- Foto: Antônio Lopes/Sema-AM
Notícias do Amazonas – Um estudo técnico realizado pela Organização Australiana de Ciência e Tecnologia Nuclear (Ansto) colocou o município de Apuí, no sul do Amazonas, no centro do mapa global das terras raras. A análise identificou que o material encontrado na região apresenta 41,5% de pureza em elementos magnéticos estratégicos — como praseodímio, térbio, disprósio e neodímio — o maior índice já registrado no mundo.
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A avaliação foi solicitada pela Brazilian Critical Minerals (BBX), empresa responsável pelo projeto de extração no município. O percentual obtido supera o de importantes operações internacionais, incluindo projetos da Viridis Mining e da Meteoric Resources, em Minas Gerais, além de empreendimentos da Aclara Resources, em Goiás, e da MCRE Resources, na Malásia.
Segundo o diretor técnico da BBX, Antônio de Castro, cerca de mil litros de solução contendo terras raras do projeto EMA foram enviados à Ansto para testes laboratoriais. Entre novembro e dezembro de 2025, o material passou por processos de precipitação química para retirada de impurezas, resultando na produção de carbonato de terras raras — forma comercial do produto.
“O nível de pureza alcançado é inédito. Quanto maior a concentração de elementos magnéticos, maior o valor econômico do carbonato produzido, o que coloca Apuí em posição estratégica no mercado global”, destacou o diretor.
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O material analisado foi extraído de uma área experimental de aproximadamente 100 por 200 metros, utilizada para testes de transmissibilidade da solução no solo. No entanto, a jazida total se estende por cerca de 82 quilômetros quadrados, indicando um potencial ainda maior de exploração. Além dos quatro elementos magnéticos, outros 11 componentes das chamadas terras raras também foram identificados na amostra.
A presença desses minerais em Apuí foi descoberta em 2023, de forma incidental, durante pesquisas voltadas à prospecção de lítio. Desde então, a BBX vem conduzindo estudos técnicos e ambientais para viabilizar a extração, seguindo etapas de avaliação de impacto ambiental e de viabilidade econômica.
As terras raras são consideradas estratégicas para a indústria de alta tecnologia, sendo essenciais na fabricação de ímãs usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa, o que torna a descoberta em Apuí relevante não apenas para o Amazonas, mas para o Brasil no cenário internacional.
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