Boi Caprichoso terá primeira Tuxaua Trans no Festival de Parintins
Lup Moara fará história ao defender um dos itens mais simbólicos do bumbá azul e branco na arena do Bumbódromo.
Resumo
O Boi Caprichoso anunciou Lup Moara como a primeira mulher trans a defender o item Tuxaua no Festival de Parintins. Com trajetória construída dentro das manifestações culturais da ilha e atuação nos bastidores do boi azul e branco, a artista faz história ao assumir um dos itens mais simbólicos do espetáculo, reforçando a representatividade e a diversidade na cultura popular amazônica.
O Boi-Bumbá Caprichoso anunciou uma novidade histórica para o Festival de Parintins 2026. A artista visual e performática Lup Moara foi escolhida para assumir o item Tuxaua, tornando-se a primeira mulher trans a ocupar oficialmente uma das funções mais emblemáticas da apresentação azul e branca no Bumbódromo.
A decisão representa um marco para o Festival de Parintins e reforça o debate sobre inclusão, diversidade e representatividade dentro da cultura popular amazônica. O item Tuxaua é considerado um dos símbolos de liderança e força indígena no espetáculo dos bois-bumbás, desempenhando papel de destaque na narrativa artística apresentada na arena.
Com a escolha de Lup, o Caprichoso passa a escrever mais um capítulo de inovação em sua trajetória, valorizando diferentes identidades e ampliando a presença de grupos historicamente sub-representados no maior evento folclórico da Amazônia.
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Um marco para o Festival de Parintins
Reconhecido por incorporar elementos contemporâneos sem perder suas raízes culturais, o Caprichoso aposta em uma escolha que une tradição e renovação.
Ao assumir o item Tuxaua, Lup Moara passa a representar uma figura que simboliza liderança, ancestralidade, resistência e conexão com os povos originários. A responsabilidade é considerada uma das maiores dentro da estrutura artística do espetáculo.
A novidade também ganha relevância por ocorrer em um momento de crescente discussão sobre diversidade nos espaços culturais brasileiros. Para admiradores do festival, a escolha evidencia a capacidade do boi de dialogar com transformações sociais sem abrir mão da identidade amazônica.
Segundo a artista, a conquista vai além da realização individual e representa uma vitória coletiva para pessoas que historicamente buscaram espaço e reconhecimento dentro das manifestações culturais populares.
Relação com o Caprichoso começou na infância
A ligação de Lup Moara com o Caprichoso começou ainda na infância. Torcedora declarada do boi da estrela na testa, ela encontrou no movimento cultural azul e branco um ambiente que contribuiu para sua formação artística e pessoal.
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Os primeiros passos foram dados na Escola de Arte Irmão Miguel de Pascale, conhecida como Escolinha de Arte do Caprichoso. O espaço é responsável por formar gerações de artistas parintinenses e teve papel fundamental no desenvolvimento das habilidades de dança, teatro e expressão corporal da futura Tuxaua.
Ao longo dos anos, Lup ampliou sua participação em diversas atividades culturais da ilha, acumulando experiências que fortaleceram sua trajetória dentro do universo folclórico.
Caminho construído nos palcos e nas manifestações culturais
Antes de chegar ao posto de Tuxaua, Lup Moara participou de diferentes segmentos artísticos ligados à cultura de Parintins.
Ela integrou o Corpo de Dança Caprichoso e esteve presente em diversas manifestações tradicionais realizadas no município. Entre as experiências que marcaram sua trajetória estão participações nas Pastorinhas, onde representou a Rainha das Flores, além da atuação em bois mirins que ajudaram a consolidar sua formação artística.
Outro momento importante ocorreu no Boi-Bumbá Rasgadinho, agremiação reconhecida por seu papel de inclusão e acolhimento à comunidade LGBTQIAPN+ na ilha. No grupo, Lup ganhou destaque ao desempenhar funções de destaque como Porta-Estandarte e Cunhã-Poranga.
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A vivência em diferentes espaços culturais contribuiu para ampliar sua experiência cênica e fortalecer sua identidade artística.
Formação ao lado de nomes consagrados
Nos bastidores do Caprichoso, Lup Moara também construiu uma trajetória ligada à produção artística e à criação visual do espetáculo.
Ao longo dos anos, recebeu influência de artistas reconhecidos do cenário parintinense, entre eles Ericky Nakanome, Paulo Rojas, Tarzio e Paulo Brasil. A convivência com profissionais experientes permitiu o aprofundamento de conhecimentos sobre figurino, cenografia, concepção artística e construção estética.
Essa rede de aprendizado contribuiu para o desenvolvimento de uma linguagem criativa própria, marcada pela valorização da cultura amazônica aliada a elementos contemporâneos.
Destaque na criação de figurinos e indumentárias
Além da atuação performática, Lup também se consolidou como profissional nos bastidores do Festival de Parintins.
Em 2018, assinou seus primeiros trabalhos como figurinista e passou a ganhar reconhecimento pelo cuidado estético de suas criações. Dois anos depois, começou a atuar diretamente na elaboração e produção de indumentárias utilizadas no espetáculo do Caprichoso.
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Seu trabalho passou a ser associado à combinação entre tradição folclórica e inovação visual, característica que ajudou a fortalecer sua presença entre os artistas da nova geração do Baixo Amazonas.
A experiência acumulada ao longo dos últimos anos foi determinante para que seu nome ganhasse projeção dentro da estrutura artística do boi.
Representatividade e renovação na arena
A chegada de Lup Moara ao item Tuxaua simboliza uma nova etapa na história do Caprichoso e do próprio Festival de Parintins.
Mais do que uma mudança na composição de um dos itens oficiais, a escolha representa o reconhecimento de uma trajetória construída dentro do movimento cultural da ilha e reforça a presença da diversidade em um dos maiores espetáculos a céu aberto do mundo.
Ao entrar na arena do Bumbódromo em 2026, Lup carregará não apenas a responsabilidade de defender um item tradicional, mas também o significado de uma conquista que amplia espaços de representatividade na cultura popular brasileira.
Para o Caprichoso, a novidade reforça uma característica histórica do bumbá: a capacidade de se reinventar, dialogar com diferentes gerações e manter viva a essência cultural que transformou o Festival de Parintins em uma das maiores expressões artísticas da Amazônia.
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