Braga critica violência no AM e ataca governo mas esquece que em sua gestão houve aumento de 46% na taxa de assassinatos
O aumento da violência na gestão dele ocorreu no mesmo período em que foi criada a Seai, apontada como arma de uso político para monitorar adversários do Governo Braga.
- Foto: Divulgação / Ilustração: Lívia Tarcis
Redação AM POST*
O ex-governador e atual senador Eduardo Braga (MDB), usou as redes sociais para falar da violência no Amazonas e criticar a gestão do governador Wilson Lima (UB), com quem disputou o 2º turno das eleições 2022 e foi derrotado. No entanto, o parlamentar esquece que durante a sua administração houve aumento de 46% na taxa de assassinatos no estado.
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Braga aproveitou dados de levantamento realizado pela Organização Não Governamental (ONG) mexicana “Seguridad, Justicia y Paz, do México”, que classifica Manaus como a 21ª cidade mais violenta do mundo. Ele também usou caso de uma mulher que foi refém ontem (23) dentro de uma lotérica em Manaus para ilustrar sua fala.
“Manaus acaba de ser declarada a 21° cidade mais violenta do mundo, a 2° do Brasil. E quem paga pela incompetência, omissão e total falta de políticas públicas de prevenção e combate à violência é o trabalhador, como aconteceu na manhã de hoje em uma lotérica. Que o nosso povo acorde e reaja, o Amazonas merece e pode muito mais que isso!“, escreveu.
Porém, a gestão de Braga no Governo do Amazonas, que durou de 2003 2010, registrou um aumento de 46,6% na taxa de assassinatos a cada 100 mil habitantes, considerando os dados analisados até 2009. A informação é de levantamento realizado nos indicadores do Atlas da Violência, que é um portal que organiza e disponibiliza informações e publicações do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre a violência no Brasil. O estudo permite fornecer suporte técnico e institucional às ações do governo para a formulação e reformulação de políticas públicas e programas de desenvolvimento.
No primeiro ano de Braga no governo, dezembro de 2003, a taxa de assassinatos, no Amazonas, era de 18,41 para cada 100 mil pessoas, de acordo com o Atlas da Violência. No ano seguinte, o índice reduziu para 16,97, mas apresentou aumento em 2005, com taxa de 18,53.
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Em 2006, o indicador mostrou nova ampliação para 21,11 e o índice se manteve, em 2007, com 21,10. Em 2008, a taxa de mortes violentas sofreu um novo acúmulo de 24,84 e finalizou 2009 com uma taxa de 26,99 mortes para cada 100 mil pessoas no Estado.
De 2003 a 2006, primeiro mandato de Braga, o principal desafio da segurança pública no Amazonas eram as chamadas “galeras”, termo dado às gangues de ruas, em sua maioria, formada por jovens com idade entre 16 e 29 anos que praticavam atos infracionais e crimes.
O aumento da violência na gestão dele ocorreu no mesmo período em que foi criada a Secretaria Executiva-Adjunta de Inteligência (Seai), vinculada à Secretaria de Segurança Pública (SSP/AM), sob a justificativa de monitorar e combater o crime organizado. Entre as funções da Seai estavam a de acompanhar e classificar a difusão das informações, criando mecanismos de proteção de dados, manter intercâmbio com a comunidade de informações, instituições de bancos de dados e órgãos auxiliares do sistema de segurança.
Uso político?
O surgimento da Secretaria Executiva-Adjunta de Inteligência levantou um debate dentro da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), na época, sobre seu uso político para monitorar adversários do Governo Braga.
Em 2009, a Seai foi a responsável por começar a investigação de um opositor de Eduardo Braga na Aleam, o ex-deputado Wallace Souza, cuja apuração policial ficou conhecida como “Caso Wallace” e virou documentário da Netflix. Wallace teve um problema de saúde agravado e morreu no ano seguinte.
O político era apresentador de televisão e foi eleito deputado estadual três vezes – 1998, 2002 e 2006. Ele chegou a ser, proporcionalmente, o parlamentar mais votado do Brasil e tinha o sonho de ser governador do Amazonas.
Com base em investigações iniciadas a partir da Seai, Wallace foi acusado de ser chefe de uma facção criminosa e de ordenar a morte de traficantes rivais para exibir em seu próprio programa, o extinto “Canal Livre”. O caso não chegou a ser julgado.
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