Censura no Amazonas: Roberto Cidade consegue em tempo recorde liminar para derrubar matérias que revelam viagem de luxo à Grécia
O uso do Judiciário para blindar políticos de críticas públicas se tornou, infelizmente, prática recorrente no Amazonas.
- Foto: divulgação/ Aleam
Notícias do Amazonas – Em uma decisão que escancara o uso do Judiciário como instrumento de censura, o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deputado estadual Roberto Cidade (UB), conseguiu na Justiça estadual um liminar para retirada de reportagens do portal CM7 Brasil que denunciavam sua recente viagem de luxo à ilha de Mykonos, na Grécia. As matérias abordavam o comportamento extravagante do parlamentar e sua comitiva enquanto o estado do Amazonas enfrenta graves crises sociais.
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A decisão foi assinada neste domingo (20) pela juíza Maria do Perpétuo Socorro da Silva Menezes, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), que acolheu pedido de Cidade e determinou a retirada imediata de publicações que citavam sua estadia luxuosa. O conteúdo incluía vídeos e imagens do deputado acompanhado da esposa Thaisa Coelho, da deputada Alessandra Campelo (Podemos), da tia Adriana Cidade e do marido dela, Vanderlei Alvino – este último, ocupante de cargo comissionado na própria Aleam como diretor do Centro de Cooperação Técnica do Interior (CCOTI).
Entre as reportagens censuradas estão: “Escândalo: Champanhe, carne folheada a ouro e Rolex, o banquete de Roberto Cidade na Grécia enquanto o Amazonas afunda na miséria” e “Deboche: crianças morrem nos hospitais no AM enquanto Roberto Cidade come ‘carne de ouro’ na Grécia; veja vídeo”. A medida também obriga o portal a não publicar novas matérias com o mesmo conteúdo, sob pena de multa diária de R$ 1 mil, limitada a 10 dias. Decisão também abrange conteúdo divulgado pela no perfil do CM7 no Instagram.
Leia mais: Decisões do STF reafirmam liberdade de imprensa e derrubam censura no Amazonas
Algumas páginas que apoiam o deputado estão repercutindo a notícia da decisão liminar no Instagram.
Judiciário como escudo político
A decisão repercutiu negativamente sendo considerada um atentado à liberdade de imprensa. O uso do Judiciário para blindar políticos de críticas públicas se tornou, infelizmente, prática recorrente no Amazonas. O caso do CM7 Brasil é mais um capítulo dessa escalada autoritária que mira veículos independentes e impede o debate público sobre o comportamento de autoridades eleitas.
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