Comando Vermelho no AM repassava ordens a advogados no Rio e fora do país, diz PF
Operação Roque prendeu quatro advogados suspeitos de repassar ordens de chefes da facção ligados ao foragido “Alan do Índio”.
- Rede Amazônica
Notícias do Amazonas – A Polícia Federal (PF) revelou um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro que envolvia advogados e integrantes da cúpula do Comando Vermelho (CV) no Amazonas, com ramificações no Rio de Janeiro e em outros países da América do Sul.
De acordo com a investigação, o grupo mantinha contato direto com chefes da facção, inclusive o foragido Alan Sérgio Martins Batista, conhecido como “Alan do Índio”, apontado como um dos 13 conselheiros nacionais do CV.
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A nova fase da operação, batizada de Roque, foi deflagrada nesta quinta-feira (6), em Manaus, e resultou na prisão de quatro advogados que atuavam como elo entre os líderes presos e os integrantes do tráfico em liberdade. A ação é um desdobramento da Operação Xeque-Mate, que mirou a cúpula da organização no estado.
Advogados repassavam ordens e movimentavam dinheiro
Segundo o delegado João Paulo Garrido, superintendente da PF no Amazonas, os advogados usavam visitas profissionais a presídios para repassar bilhetes, ordens e recursos entre criminosos.
As investigações apontam que os presos atuavam como “garotos de recado” da facção, sendo responsáveis por:
Transmitir determinações dos chefes detidos;
Lavar dinheiro proveniente do tráfico;
Organizar a logística do transporte de drogas vindas da Colômbia;
Coordenar represálias e negociações entre grupos criminosos em diferentes estados;
Servir de elo entre os líderes presos e os pontos de venda de drogas no Amazonas.
Foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão em endereços residenciais e profissionais na capital amazonense.
Ligação com o “Conselho” do Comando Vermelho
O grupo investigado estaria subordinado a Alan do Índio, apontado como o chefe do CV no Amazonas. Foragido desde 2024, ele teria feito cirurgias plásticas e usado identidades falsas para fugir da polícia.
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A PF acredita que, mesmo à distância, Alan continuava controlando o tráfico de drogas e as finanças da facção, com ajuda dos advogados. Parte das orientações era repassada a advogados de fora do estado, incluindo um profissional do Rio de Janeiro, que teria escapado da operação anterior no Complexo da Penha.
Atuação da OAB e defesa dos investigados
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi acionada para acompanhar a operação e verificar eventuais violações de prerrogativas profissionais.
Em nota, a OAB informou que irá se pronunciar oficialmente após a conclusão da operação e que tomará as medidas cabíveis caso sejam constatados abusos.
As defesas dos advogados presos negam o envolvimento com o Comando Vermelho e afirmam que os profissionais exercem a advocacia dentro da legalidade, atuando na defesa de acusados de crimes comuns.
Operação Roque: desdobramento e contexto
A Operação Roque é um desdobramento direto da Operação Xeque-Mate, deflagrada em outubro, que revelou o funcionamento de um núcleo financeiro e jurídico do Comando Vermelho no Amazonas.
As investigações seguem em andamento para identificar novos envolvidos e mapear as rotas internacionais de tráfico, que conectam Colômbia, Amazonas e Rio de Janeiro.
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