Construtora da família Cameli investigada por corrupção vence licitação milionária para pavimentar BR-319
Empresa alvo da Operação Ptolomeu foi autorizada pelo Dnit para atuar em trecho estratégico da rodovia.
- Foto: Reprodução
Resumo
O Dnit homologou vitória de empresa investigada por corrupção em licitação de R$ 362 milhões para obras na BR-319. Caso envolve construtora citada na Operação Ptolomeu da Polícia Federal.
Notícias do Amazonas – O avanço das obras da BR-319, rodovia considerada estratégica para ligar Manaus (AM) a Porto Velho (RO), ganhou um novo foco de controvérsia após o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) homologar a vitória de uma construtora investigada por corrupção em uma licitação milionária ligada à estrada.
A construtora Etam Ltda., pertencente à família do ex-governador do Acre, Gladson Cameli, foi declarada vencedora do edital referente ao trecho entre os quilômetros 469 e 590 da BR-319, em contrato estimado em R$ 362 milhões. O valor ficou abaixo do orçamento inicialmente previsto pelo Dnit, calculado em aproximadamente R$ 430 milhões.
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A homologação ocorre em meio ao debate sobre a retomada das obras no chamado “trecho do meio” da rodovia, área considerada uma das mais sensíveis da Amazônia por atravessar regiões preservadas da floresta.
Empresa foi alvo da Polícia Federal
A Etam LTDA aparece entre os alvos da Operação Ptolomeu, investigação conduzida pela Polícia Federal que apurou suspeitas de corrupção envolvendo a gestão do ex-governador do Acre, Gladson Cameli (PP).
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As investigações apontaram possíveis desvios de recursos públicos em contratos de infraestrutura, manutenção de escolas e unidades de saúde. A construtora possui ligação com familiares do ex-governador acreano.
Neste ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou Gladson Cameli a 25 anos e nove meses de prisão por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitações.
Durante o andamento das investigações, a Etam chegou a ter atividades econômicas suspensas por 90 dias por determinação judicial.
Até a publicação da reportagem, nem a empresa nem o ex-governador haviam se manifestado oficialmente sobre a homologação da licitação relacionada à BR-319.
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BR-319 segue cercada de polêmicas
A reconstrução da BR-319 é defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que cumpre agenda no Amazonas nesta semana e voltou a defender a retomada das obras da estrada.
A rodovia é vista por setores econômicos e políticos como fundamental para reduzir o isolamento logístico do Amazonas e melhorar o transporte entre a Região Norte e o restante do país.
Por outro lado, ambientalistas demonstram preocupação com possíveis impactos ambientais causados pela pavimentação do trecho central da estrada, considerado um dos mais preservados da Amazônia.
Especialistas alertam para riscos de avanço do desmatamento, grilagem de terras e ocupações irregulares ao longo da rodovia caso não haja fiscalização permanente.
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Dnit diz que processo seguiu regras legais
Em nota, o Dnit afirmou que os processos licitatórios seguem a legislação vigente e respeitam princípios de transparência e isonomia previstos na administração pública.
A autarquia federal também declarou que os contratos não tratam oficialmente de “pavimentação”, mas sim de “melhoramento” da rodovia.
“O Dnit esclarece que não possui atuação direta na elaboração ou no encaminhamento de propostas pelas empresas participantes de processos licitatórios”, informou o órgão.
O caso amplia a pressão política e ambiental em torno da BR-319 justamente em um momento em que o governo federal tenta destravar obras históricas de infraestrutura na Amazônia.
*Com informações de O Globo
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