Crime ambiental em fazenda da família de Maria do Carmo Seffair revolta agricultores no Amazonas: “é só para quem tem dinheiro”
Parte da vegetação já foi consumida pelo fogo, enquanto outras áreas próximas ainda estão em chamas, com focos de fumaça densa se espalhando.
- Foto: Reprodução
Uma vasta área de floresta nativa está sendo destruída por queimadas em uma fazenda localizada no km 186 da BR-174, município de Presidente Figueiredo (distante 126 km por estrada de Manaus). A propriedade, situada no Ramal da Nona, pertence à família da empresária Maria do Carmo Seffair, candidata a vice-prefeita de Manaus na chapa de Capitão Alberto Neto. Maria é associada a esta fazenda, conhecida na região como Fazenda Fametro, nome relacionado à principal empresa da família, as Faculdades Fametro.
Conforme registro da Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Amazonas (Adaf), a propriedade pertence ao empresário Wellington Lins de Albuquerque, que é marido da candidata. No entanto, em uma consulta ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), não há licenças ambientais emitidas para atividades que justificariam as queimadas em andamento.
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Imagens de satélite capturadas recentemente mostram a extensão dos danos ambientais causados, com vastas áreas de floresta nativa devastadas pelo fogo. Em algumas partes da propriedade, grandes áreas de árvores, incluindo espécimes centenários da floresta amazônica, foram completamente transformadas em carvão.
As imagens aéreas indicam que o crime ambiental ocorre de forma contínua e já está em curso há alguns dias. Parte da vegetação já foi consumida pelo fogo, enquanto outras áreas próximas ainda estão em chamas, com focos de fumaça densa se espalhando. A destruição de uma área tão grande de floresta gera consequências ambientais graves, e a fumaça espessa que se dissipa no ar traz preocupação tanto para os moradores locais quanto para a população dos municípios vizinhos.
Agricultores e moradores se revoltam com a impunidade
O caso gerou uma onda de revolta entre as famílias de agricultores da região, que há muito tempo convivem com os efeitos das queimadas no entorno de suas propriedades. Agricultores locais têm expressado sua indignação com a falta de ação por parte das autoridades ambientais diante desse crime de grandes proporções.
“Tá um crime meio brabo isso aí. Mas isso é só para quem tem dinheiro quem não tem não pode fazer se não vai para a cadeia. A gente aqui para jogar duas quadras no chão tem que tirar licença lá”, criticou um dos moradores, que preferiu não se identificar.
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Eles também relatam que as autoridades ambientais, como o Ipaam e outros órgãos responsáveis, não têm agido de forma eficaz para combater crimes dessa natureza. Esse sentimento de injustiça é amplificado pela percepção de que as autoridades são mais rigorosas com os pequenos produtores rurais enquanto grandes propriedades conseguem contornar as regulações ambientais.
“Estamos cansados de ver esse tipo de coisa acontecer e ninguém fazer nada. A gente quer resposta, quer que alguém olhe por nós e pelo futuro da floresta”, declarou outro agricultor da região.
Impacto das queimadas na saúde da população de Manaus
A destruição de áreas florestais em grande escala contribui para o aumento da poluição atmosférica em Manaus e nos municípios próximos, gerando um ar carregado de fuligem e partículas prejudiciais à saúde. Nos últimos meses, Manaus registrou níveis alarmantes de poluição do ar devido às queimadas, com o ar da cidade chegando a ser um dos piores do mundo em qualidade.
A intensa fumaça gerada por essas queimadas torna o ar perigoso, especialmente para crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios, que enfrentam um aumento significativo de complicações devido à qualidade do ar. Instituições de saúde locais registraram alta na procura por atendimentos médicos relacionados a problemas respiratórios. Esses números se intensificam durante o período das queimadas, agravando a situação de saúde pública na região.
Resposta
A reportagem entrou em contato com a candidata Maria do Carmo, por meio de sua assessoria de imprensa, e questionou o caso. A assessoria disse que iria averiguar a situação mas não deu resposta até o fechamento desta matéria. Segue aberto espaço para manifestação.
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