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Dívida de R$ 304 milhões da empresa de Orsine Oliveira leva Justiça a reter valores de operação ligada à J&F em negociação da Amazonas Energia

Decisão atinge empresas ligadas à compra de ativos da Oliveira Energia e busca garantir cobrança milionária na Justiça.

Por Natan AMPOST

02/06/2026 às 15:43 - Atualizado em 03/06/2026 às 14:17

Resumo


A Justiça do Amazonas determinou o bloqueio de até R$ 304 milhões relacionados à venda de ativos da Oliveira Energia, empresa do empresário Orsine Oliveira. A decisão alcança empresas ligadas ao grupo J&F, dos irmãos Joesley Batista e Wesley Batista, e ocorre no contexto da negociação envolvendo a Amazonas Energia e a Roraima Energia.

Notícias do Amazonas – Uma decisão da Justiça do Amazonas determinou o bloqueio e arresto de até R$ 304,4 milhões relacionados a operações financeiras envolvendo o Grupo Oliveira Energia, dono da Amazonas Energia, empresa controlada pelo empresário Orsine Oliveira, e grupos que participam da aquisição de ativos do setor elétrico na Região Norte. A medida foi tomada para garantir o pagamento de uma dívida cobrada judicialmente pelo empresário Eládio Messias Cameli e outros credores que alegam ter financiado parte da expansão da companhia anos atrás.

O valor envolve uma cobrança principal de aproximadamente R$ 276,7 milhões, acrescida de honorários advocatícios fixados pela Justiça. Na decisão, o juiz Roberto Santos Taketomi destacou que existe risco concreto de esvaziamento patrimonial caso os recursos provenientes das operações de venda sejam liberados sem controle judicial.

O repasse direto de expressivos valores decorrentes do preço de venda à devedora, sem que o juízo proceda à prévia retenção dos limites necessários à satisfação da dívida exequenda, geraria risco concreto de dissipação ou de pulverização desses recursos“, afirmou o magistrado.

Leia documento completo:Decisão que determina retenção de R$ 304 milhões

Entenda a origem da disputa milionária

O processo foi movido pela Construtora Amazônidas, por Eládio Messias Cameli e pela Solienergy Participações Ltda., que afirmam ter realizado empréstimos e aportes financeiros à Oliveira Energia entre 2018 e 2020.

Segundo os autores da ação, os recursos teriam sido fundamentais para viabilizar a aquisição e a operação de ativos ligados ao sistema elétrico da Região Norte, incluindo a Amazonas Energia. Com atualização monetária, juros e demais encargos, a dívida executada alcançou R$ 276,7 milhões.

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Embora a Oliveira Energia tenha apresentado embargos à execução contestando a cobrança, a Justiça ressaltou que não existe decisão suspendendo a execução principal.

O simples ajuizamento dos embargos do devedor não possui o condão de obstar ou paralisar o regular andamento do processo executivo principal“, registrou o juiz.

Grupo dos irmãos Batista entra no centro da decisão

A medida judicial alcança diretamente empresas ligadas aos compradores dos ativos negociados pela Oliveira Energia.

Entre elas está a J&F S.A., holding controlada pelos empresários Joesley Batista e Wesley Batista, além da Futura Venture Capital de Participações Ltda. e do Fundo de Investimento em Participações Infraestrutura Milão.

Leia mais: Irmãos Batista participam de jantar de Lula com prefeitos do Amazonas em Manaus

O magistrado determinou que essas empresas informem à Justiça a existência de créditos, pagamentos futuros, cronogramas de desembolso e quaisquer obrigações financeiras relacionadas à Oliveira Energia.

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Além disso, os grupos ficaram proibidos de efetuar pagamentos à empresa sem autorização judicial.

Determino que os terceiros adquirentes (…) abstenham-se, de forma categórica, de efetuar qualquer repasse financeiro, pagamento ou transferência de recursos decorrentes do preço das transações em benefício da executada Oliveira Energia“, determinou Taketomi.

O contexto envolvendo a Amazonas Energia

A disputa judicial ocorre em meio às operações societárias que envolvem a Amazonas Energia, concessionária responsável pela distribuição de energia elétrica no Amazonas.

Nos últimos anos, a empresa passou por processos de recuperação financeira, reestruturações operacionais e mudanças em sua composição societária. A Oliveira Energia, de Orsine Oliveira, participou desse cenário ao assumir protagonismo em operações ligadas à concessionária.

Segundo a decisão judicial, a venda de ativos vinculados à Amazonas Energia e à Roraima Energia tornou-se peça central na cobrança dos credores, que buscam assegurar que eventuais recebimentos da Oliveira Energia sejam utilizados para quitar a dívida milionária.

Qual é o papel da Âmbar Energia?

A Âmbar Energia apareceu no processo após ser citada em discussões relacionadas às operações de compra e venda de ativos do setor elétrico.

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Leia mais: Âmbar, empresa dos irmãos Batista, assume controle da Amazonas Energia ainda em outubro

Ao se manifestar nos autos, a empresa argumentou que não possuía créditos líquidos e exigíveis em favor da Oliveira Energia e sustentou que determinadas transações foram estruturadas por outras empresas.

No entanto, o juiz rejeitou os argumentos apresentados.

“Rejeito as alegações de ilegitimidade passiva e inexistência de créditos ofertadas pela Âmbar Energia S.A., mantendo sua condição de terceira interessada e sua vinculação aos deveres de colaboração processual“, decidiu.

Apesar disso, a decisão não determinou bloqueio direto de recursos da Âmbar Energia. A empresa permanece obrigada a colaborar com o processo e fornecer informações solicitadas pela Justiça.

Justiça vê risco de perda dos valores

Outro ponto decisivo foi a aprovação, pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), das operações societárias envolvendo os ativos negociados.

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Para o magistrado, a autorização regulatória tornou iminente a movimentação financeira decorrente dessas transações, aumentando o risco de que os recursos deixem de estar disponíveis para satisfazer os credores.

“Resta plenamente configurado o requisito do perigo de dano grave ou de difícil reparação para a concessão da tutela cautelar de arresto de créditos“, destacou o juiz.

A decisão também ressalta que a Oliveira Energia passa por um intenso processo de reorganização empresarial.

A Oliveira Energia S.A. encontra-se em um processo acelerado de desinvestimento e reestruturação societária profunda, promovendo a alienação de suas principais fontes geradoras de receita no norte do país“, registrou o magistrado.

Penhora foi ampliada e imóveis foram rejeitados

A Justiça ainda rejeitou a tentativa da Oliveira Energia de substituir a garantia da execução por imóveis e participações societárias.

Segundo a decisão, os bens apresentados possuem baixa liquidez ou apresentam restrições que comprometem sua utilização como garantia.

Indefiro a oferta voluntária de bens à penhora realizada pela executada Oliveira Energia Geração e Serviços Ltda., em razão da inidoneidade dos imóveis indicados e da manifesta iliquidez das quotas societárias ofertadas“, afirmou Taketomi.

Ao final, o magistrado ampliou formalmente os efeitos da penhora.

Defiro integralmente os pedidos formulados pelos exequentes, estendendo de forma subjetiva os efeitos da penhora e arresto de créditos para alcançar diretamente os reais adquirentes e fontes pagadoras das operações de alienação de ativos da executada.

Com isso, a disputa envolvendo mais de R$ 304 milhões passa a atingir empresas ligadas a algumas das maiores operações do setor elétrico brasileiro, envolvendo a Oliveira Energia, a Amazonas Energia, a Âmbar Energia e o grupo J&F, dos irmãos Joesley Batista e Wesley Batista.

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Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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