No Amazonas, dois trabalhadores foram resgatados em uma fábrica de móveis localizada na BR-174, na zona rural de Manaus. O caso integra a nova atualização do cadastro, que reúne ocorrências registradas entre os anos de 2020 e 2025.
Ao todo, a atualização resultou no resgate de 2.247 trabalhadores em situação de exploração e trabalho análogo à escravidão em diferentes regiões do país.
Setores com mais casos registrados
De acordo com o levantamento divulgado pelo Ministério do Trabalho, as atividades com maior número de inclusões nesta edição foram serviços domésticos, com 23 casos, criação de bovinos para corte, com 18 registros, cultivo de café, com 12, construção de edifícios, com 10, e serviços de preparação de terreno, cultivo e colheita, com seis ocorrências.
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Os casos incluídos na lista estão distribuídos em 21 unidades da federação. Minas Gerais lidera com 35 inclusões, seguido por São Paulo com 20, Bahia e Paraíba com 17 cada, Pernambuco com 13, Goiás e Mato Grosso do Sul com 10, além de outros estados com menor número de registros, incluindo o Amazonas, com um caso.
Cadastro busca dar transparência às fiscalizações
O Cadastro de Empregadores é publicado semestralmente e tem como objetivo dar transparência às ações de combate ao trabalho análogo à escravidão. As fiscalizações envolvem a atuação da Auditoria Fiscal do Trabalho, Polícia Federal, Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal e Defensoria Pública da União, além de outras forças policiais quando necessário.
Durante as operações, quando são identificadas irregularidades, são lavrados autos de infração para cada violação trabalhista, incluindo o auto específico que caracteriza a submissão a condições análogas à escravidão.
A inclusão no cadastro ocorre somente após a conclusão de processos administrativos, garantindo o direito ao contraditório e à ampla defesa. Os nomes permanecem publicados por dois anos.
Grupo móvel já resgatou mais de 68 mil trabalhadores
O Grupo Especial de Fiscalização Móvel, que atua em todo o país, completou 30 anos em maio de 2025. Desde sua criação, em 1995, mais de 68 mil trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão.
Durante esse período, mais de R$ 156 milhões foram pagos em verbas salariais e rescisórias diretamente às vítimas durante as operações.
As ações seguem o Fluxo Nacional de Atendimento às Vítimas do Trabalho Escravo, com participação da Auditoria Fiscal do Trabalho, Polícia Federal, Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal e Defensoria Pública da União.
Denúncias podem ser feitas de forma sigilosa
Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser realizadas de forma remota e sigilosa por meio do Sistema Ipê, plataforma criada em 2020 pela Secretaria de Inspeção do Trabalho em parceria com a Organização Internacional do Trabalho.
O sistema é exclusivo para o recebimento de denúncias relacionadas a esse tipo de exploração e está integrado ao fluxo nacional de atendimento às vítimas.