Empregadores do Amazonas entram na “lista suja” do trabalho análogo à escravidão; confira
Entre os casos estão denúncias em Lábrea e Manaus; atualização nacional teve aumento de 20% em empregadores flagrados em condições degradantes.
- Foto: reprodução
Notícias do Amazonas – O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou, na segunda-feira (6), a nova atualização da chamada “lista suja” do trabalho análogo à escravidão, documento que reúne empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições degradantes em todo o país. Nesta edição, o Amazonas aparece com quatro empregadores incluídos, reforçando a gravidade do problema no estado.
Ao todo, a lista traz 159 nomes — sendo 101 pessoas físicas e 58 jurídicas — representando um aumento de 20% em relação à última atualização, feita em abril deste ano. A publicação é semestral e tem como objetivo dar visibilidade às ações de fiscalização e responsabilizar quem explora mão de obra em condições análogas à escravidão.
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Saiba quem são
Entre os casos registrados no Amazonas, o mais grave envolve Adalcimar de Oliveira Lima, morador de Lábrea, município do sul do estado. De acordo com o MTE, onze trabalhadores foram encontrados vivendo e trabalhando em condições degradantes em uma área próxima à Floresta Nacional do Iquiri, em 2020. Os fiscais relataram falta de alojamento adequado, ausência de alimentação digna e inexistência de equipamentos de segurança, configurando situação de vulnerabilidade extrema.
Outro nome que aparece na lista é Gilcimar Modesto da Silva, responsável por uma fábrica de móveis localizada no km 82 da BR-174, zona rural de Manaus. A inspeção, feita em 2023, identificou dois trabalhadores submetidos a condições degradantes, sem registro em carteira e sem acesso a instalações básicas de higiene.
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Também foi incluído Haroldo Jatahy de Castro, que em 2024 mantinha um trabalhador em condições precárias dentro de sua própria residência, na capital amazonense. A denúncia foi confirmada por fiscais que encontraram irregularidades graves nas condições de moradia e trabalho.
A quarta empregadora da lista é Maria das Graças dos Santos Level, flagrada em 2023 submetendo um trabalhador a condições degradantes em sua casa, em local não informado.
Lista suja
Segundo o Ministério do Trabalho, todos os nomes incluídos na lista passam por processo administrativo, com direito à defesa. Após o julgamento final, os empregadores permanecem no cadastro por dois anos, período em que ficam impedidos de acessar crédito em bancos públicos e participar de licitações federais.
O órgão reforça que o combate ao trabalho análogo à escravidão depende também da participação da sociedade civil. Denúncias podem ser feitas de forma anônima e remota por meio do Sistema Ipê, criado em 2020 pela Secretaria de Inspeção do Trabalho em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
A presença do Amazonas na lista evidencia que a exploração de trabalhadores ainda é uma realidade no estado, especialmente em áreas rurais e atividades informais. O MTE destacou que as fiscalizações continuarão intensificadas na região Norte, considerada uma das mais críticas do país nesse tipo de violação.
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