Ex-prefeito de Juruá deixou dívida de R$ 4,5 milhões para gestão atual
Ex-prefeito realizou empréstimo pouco antes de deixar a gestão.
- Foto: divulgação
Notícias do Amazonas – O prefeito Ilque Cunha (MDB) assumiu a administração municipal enfrentando uma situação financeira crítica, herdada de seu antecessor, José Maria Rodrigues da Rocha Junior, conhecido como Dr. Junior. Um dos principais desafios de sua gestão será lidar com um empréstimo de R$ 4,5 milhões contratado no fim de agosto de 2024 junto ao Banco do Brasil, autorizado pela Câmara Municipal em julho do mesmo ano.
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O ex-prefeito Dr. Junior, no intervalo de apenas 13 dias após a assinatura do contrato, efetuou pagamentos que somaram mais da metade do valor do empréstimo a diversas empresas. Entre as beneficiadas estão LF Viana, ABCVA LTDA., Barreto IC LTDA (R$ 1,5 milhão), L DA S FRAN, VHN Serviço e Wagner CP ME (R$ 501 mil). No entanto, a atual gestão afirma que não há qualquer comprovação documental das despesas realizadas com esses recursos.
O contrato firmado com o Banco do Brasil tem um prazo de amortização de 120 meses e está sujeito a encargos financeiros atrelados à taxa anual média dos Certificados de Depósitos Interfinanceiros (CDI), acrescidos de uma sobretaxa efetiva de 6,50% ao ano. Desde a assinatura do contrato, nenhuma parcela do montante contratado foi quitada, e os juros acumulados já se aproximam de R$ 100 mil.
Diante dessa situação, o prefeito Ilque Cunha declarou que não pretende assumir a responsabilidade pelo débito contraído por seu antecessor. “Não vou descascar um abacaxi que foi plantado, cultivado e adubado pelo ex-prefeito”, afirmou. A solução será encaminhar o caso ao Ministério Público do Amazonas (MP-AM) para que as medidas cabíveis sejam tomadas.
Investigação por lavagem de dinheiro e corrupção
A polêmica envolvendo Dr. Junior não se limita ao empréstimo. Em outubro de 2023, o Ministério Público do Amazonas já havia anunciado uma investigação contra ele por suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. Segundo a Promotoria de Carauari, o ex-prefeito comandava um esquema de desvio de recursos envolvendo sua mãe, Walderina Feitosa da Rocha, candidata à vice-prefeita de Carauari na chapa de Chico Costa, da coligação “Por ti Carauari”.
As investigações indicam que Dr. Junior utilizava empresas de aliados, como J.C. Barão dos Santos, C.V. da Silva Fonseca e TAC Comércio de Suprimentos de Informática, para movimentar grandes quantias em dinheiro. Os valores, sacados em espécie, eram supostamente direcionados para financiar a campanha de sua mãe.
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