Perseguição religiosa? Regime chinês detém líderes cristãos durante culto em igreja protestante
Congregação afirma que pessoas, incluindo crianças, foram abordadas durante operação em igreja não reconhecida pelo governo chinês.
- Foto: Reprodução
Resumo
Uma igreja protestante independente da China denunciou que policiais armados interromperam um culto religioso na cidade de Jiangyou, no sudoeste do país. Dois líderes permanecem detidos, enquanto dezenas de fiéis foram levados para interrogatórios após a ação, que reacendeu o debate sobre liberdade religiosa sob o regime chinês.
Notícias do Mundo – Uma operação policial realizada durante um culto religioso no sudoeste da China provocou novas denúncias de perseguição contra comunidades cristãs não registradas junto ao governo. Segundo relatos da igreja Early Rain Covenant, agentes armados interromperam uma celebração no domingo (14), detiveram líderes religiosos e conduziram dezenas de participantes para interrogatórios.
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A ação ocorreu na cidade de Jiangyou e teria mobilizado um grande contingente policial. De acordo com a congregação, os agentes entraram no local onde acontecia o culto e iniciaram procedimentos de identificação dos presentes.
Líderes religiosos seguem sob custódia
A igreja informou que os líderes Yan Hong e Wu Wuqing foram detidos durante a operação e permaneciam sob custódia das autoridades até a última atualização divulgada pela congregação.
Os motivos das detenções não foram oficialmente esclarecidos. As autoridades chinesas também não comentaram as acusações feitas pela igreja. Segundo os relatos divulgados pela comunidade religiosa, mais de 30 pessoas foram levadas para um centro de detenção local, onde passaram por interrogatórios ao longo do dia.
Crianças e idosos também foram identificados
A congregação afirma que, enquanto parte dos fiéis era conduzida para interrogatórios, idosos e crianças permaneceram no local da celebração sendo submetidos à verificação de documentos e procedimentos de identificação.
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Imagens divulgadas pela igreja mostram participantes reunidos em um salão de hotel cercados por policiais e agentes de segurança. Em alguns vídeos, os fiéis aparecem cantando hinos religiosos enquanto recebem ordens para interromper a cerimônia. Segundo os organizadores, a maioria dos participantes foi liberada ainda no domingo após horas de retenção.
Igreja relata pressão para assinatura de documentos
De acordo com a Early Rain Covenant, alguns participantes teriam sido pressionados a assinar documentos para obter a liberação. A congregação afirma que os agentes não explicaram o conteúdo dos formulários apresentados, o que levou os fiéis a recusarem a assinatura. Os integrantes levados ao centro de detenção começaram a ser liberados entre a noite de domingo e o fim da madrugada, enquanto os dois líderes continuavam detidos.
Histórico de confrontos com as autoridades
Fundada em 2008 na cidade de Chengdu, a Early Rain Covenant tornou-se uma das mais conhecidas igrejas domésticas da China. Essas congregações funcionam fora das instituições religiosas oficialmente reconhecidas pelo Estado. A igreja já enfrentou diversas ações das autoridades chinesas ao longo dos últimos anos. Em 2018, seu fundador, o pastor Wang Yi, foi preso durante uma ampla operação policial e posteriormente condenado por acusações relacionadas à segurança do Estado.
Os dois líderes detidos no episódio mais recente também já haviam sido convocados anteriormente para prestar esclarecimentos às autoridades sob suspeita de envolvimento em atividades consideradas ilegais pelo governo.
Debate sobre liberdade religiosa
A legislação chinesa exige que grupos religiosos estejam vinculados a organizações reconhecidas pelo Estado. Apesar disso, milhões de cristãos frequentam igrejas independentes, conhecidas como “igrejas domésticas”. Entidades internacionais que monitoram a liberdade religiosa afirmam que o controle sobre essas comunidades aumentou nos últimos anos, resultando em operações policiais, detenções e restrições às atividades religiosas.
O episódio envolvendo a Early Rain Covenant ocorre meses após outras ações contra igrejas não registradas, reforçando as críticas de organizações de direitos humanos sobre a situação da liberdade religiosa no país.
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