Justiça amplia prazo de transferência da Amazonas Energia para empresa dos irmãos Batista
A transferência de controle acionário marca a entrada da Âmbar Energia no segmento de distribuição elétrica.
- Wesley e Joesley Batista. – Foto: Divulgação
A Justiça Federal concedeu um prazo adicional de 60 dias para que a transferência de controle acionário da Amazonas Energia, atualmente gerida pelo grupo Oliveira Energia, seja concluída e formalizada com a Âmbar Energia, empresa da holding J&F, que também controla a JBS dos irmãos Joesley e Wesley Batista. A decisão judicial, assinada pela juíza Jaiza Maria Pinto Fraxe, da 1ª Vara Federal Cível do Amazonas, veio antes de uma reunião extraordinária da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre o tema, prevista para a próxima quinta-feira, 19.
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No processo, a concessionária amazonense havia solicitado mais tempo para cumprir as exigências de transferência de controle, citando “elevados desafios burocráticos” e atrasos devido à “natural lentificação das atividades dos órgãos públicos” e à extensa documentação exigida. A juíza reconheceu essas dificuldades e determinou a prorrogação dos prazos previstos em cláusulas contratuais cruciais para a finalização da transação.
“Algumas medidas de fato ficam no controle de outros órgãos e instituições, como a Junta Comercial, de modo que se faz necessária a prorrogação por mais sessenta dias dos prazos estabelecidos nas cláusulas 4ª e 7ª. Pleito este que expressamente defiro”, escreveu a juíza em sua decisão.
Impactos da transação
A transferência de controle acionário marca a entrada da Âmbar Energia no segmento de distribuição elétrica. O acordo inclui um aporte de R$ 6,5 bilhões para reduzir o endividamento da Amazonas Energia, além de flexibilizações de obrigações financeiras estimadas em R$ 14 bilhões. Contudo, essas mudanças devem gerar custos adicionais para consumidores de energia elétrica em todo o país.
Além de estender o prazo, a decisão da juíza Fraxe determinou que a Aneel libere repasses financeiros à Amazonas Energia para garantir a continuidade dos serviços prestados, prevenindo apagões no Amazonas e em Roraima, regiões que enfrentam desafios críticos de abastecimento energético.
Discussão regulatória adiada
A decisão judicial atropelou o cronograma da Aneel, que planejava discutir a prorrogação durante uma reunião de sua diretoria. A extensão de prazo concedida pela Justiça gera um período de transição mais longo e pode abrir margem para novos debates sobre o impacto financeiro e regulatório da operação.
Com a decisão, a Âmbar Energia, pertencente à família Batista, avança na consolidação de sua posição no setor energético, ampliando sua atuação que já inclui geração e comercialização de energia.
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