Mais de 25 mil quelônios são devolvidos à natureza em Unidade de Conservação de Manaus
A RDS do Uatumã é gerida pela Sema e realiza projeto de monitoramento desde 2002

Foto: Lucas Silva/AmazonasTur
Mais de 25 mil filhotes de tartarugas foram liberados na natureza no domingo (25) por moradores da comunidade da Enseada, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã. A soltura é resultado de um trabalho de monitoramento e preservação das espécies, realizado na Unidade de Conservação (UC), com apoio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), por 22 anos.
“A Sema apoia o projeto em nove comunidades na RDS Uatumã, sendo a comunidade da Enseada uma delas. Apoiamos desde a coleta até a soltura, fornecendo insumos, gasolina, isopor, treinamento para os monitores, trazendo a comida para os filhotes e, também, realizando a soltura, que é o evento que vem coroar todo o trabalho feito”, afirmou o gestor da UC, Cristiano Gonçalves.
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A liberação dos filhotes é a fase final de um longo processo de coleta dos ovos, que começa em setembro do ano anterior e continua até dezembro. Nesse período, moradores da comunidade da Enseada formam equipes para percorrer as praias que cercam o Lago do Jaraoacá, em busca dos ninhos onde as tartarugas fazem a postura dos ovos.
A busca e coleta são realizadas diariamente, começando ainda de madrugada, até o final da manhã. Os ovos encontrados são transferidos para um espaço chamado “chocadeira”, que simula o ambiente de praia onde foram originalmente depositados. Isso protege os ovos de predadores e do risco de caça ilegal até a eclosão.
“Na comunidade, no ano passado, aproximadamente 20 mil filhotes foram liberados. Este ano conseguimos soltar mais de 25 mil. Mesmo com as dificuldades enfrentadas durante a estiagem, a comunidade se envolveu e teve sucesso no projeto”, acrescentou o gestor da RDS do Uatumã.
Após a eclosão, os filhotes são levados para os “berçários”, tanques onde ficam sob os cuidados da comunidade até que seus cascos fiquem mais resistentes. Essa fase dura cerca de três meses. Somente depois disso, os filhotes são considerados prontos para retornar à natureza com mais segurança, estando menos vulneráveis aos desafios da vida selvagem.

Foto: Lucas Silva/AmazonasTur
Esforço Comunitário
Toda a iniciativa é liderada pela moradora Iracy Cleide, empreendedora local no setor de turismo de base comunitária. Ao todo, 14 famílias da comunidade da Enseada participam da atividade. Para ela, o trabalho é árduo, mas contribuir para o aumento das populações de tartarugas na RDS é gratificante.
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“Sinto-me muito feliz e honrada por este trabalho, junto com os membros da nossa comunidade, com as pessoas guerreiras que nos ajudam e nos dão força, e com a energia que pedimos a Deus. Isso é muito gratificante, muito bonito, e o apoio dos órgãos nos fortalece para continuarmos esse trabalho. Não quero parar, nós não vamos parar”, ressaltou.
Estímulo ao Turismo
A liberação no domingo (25/02) reuniu dezenas de moradores e, pela primeira vez, também atraiu turistas de fora do Amazonas, como do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e dos Estados Unidos. Para o presidente da Amazonastur, Ian Ribeiro, o turismo de conservação pode impulsionar ainda mais a atividade de base comunitária.
“O turismo de conservação é um aspecto adicional, onde as comunidades podem se destacar, oferecendo uma oportunidade única para o turista conhecer algo que ele não teria a possibilidade, nem em outras comunidades, nem onde reside. Conversamos com todos eles, e ficaram encantados com essa experiência. Isso demonstra o potencial que as comunidades ribeirinhas têm para desenvolver o turismo, gerando economia e renda para toda a sua população”, enfatizou.
A experiência encantou a massoterapeuta Camila Peig, de Santa Catarina. “Estou muito emocionada com tudo, a energia do local, as pessoas, o que está acontecendo é muito especial, muito forte. É um projeto grandioso, com impacto gigante para toda a população. Com certeza vou trazer minha filha numa próxima vez”, pontuou.
O engenheiro mecânico André Nishimura, de São Paulo, também participou. “Eu tinha uma expectativa ao chegar aqui, e ela está sendo muito superior. É algo que eu recomendo que todos tenham essa vivência do que acontece ‘aqui em cima’. É maravilhoso”, ressaltou.
Redação AM POST
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