Milton Hatoum se torna o primeiro amazonense “imortal” da Academia Brasileira de Letras
A eleição, realizada no Rio de Janeiro, é considerada um marco histórico para a cultura e a literatura do estado.
- Foto: © TV Brasil/Divulgação
O escritor amazonense Milton Hatoum, de 72 anos, foi eleito, nesta quinta-feira (14/08), para a cadeira número 6 da Academia Brasileira de Letras (ABL), tornando-se o primeiro representante do Amazonas a integrar a instituição. A eleição, realizada no Rio de Janeiro, é considerada um marco histórico para a cultura e a literatura do estado.
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Hatoum recebeu 33 votos, superando outros cinco concorrentes, e ocupará a vaga deixada pelo jornalista e escritor Cícero Sandroni, falecido no início deste ano. O Governo do Amazonas emitiu nota de congratulação, destacando a importância da conquista para o reconhecimento nacional do talento literário produzido na região.
Trajetória literária de destaque
Nascido em Manaus, em 1952, filho de pai libanês e mãe amazonense, Milton Hatoum construiu uma carreira sólida que o colocou entre os mais respeitados autores brasileiros contemporâneos. Seu romance de estreia, Relato de Um Certo Oriente (1989), conquistou o Prêmio Jabuti e o projetou no cenário nacional.
Seguiram-se obras igualmente aclamadas, como Dois Irmãos (2000), adaptada para a televisão em 2017 pela TV Globo, e Cinzas do Norte (2005), que também recebeu o Jabuti e consolidou seu estilo marcado por narrativas densas, personagens complexos e um olhar crítico sobre a história e as transformações sociais da Amazônia.
O autor também é reconhecido por seu livro de contos A Cidade Ilhada (2009), que inspirou o filme O Rio do Desejo (2023), dirigido por Sergio Machado. Suas obras já foram traduzidas para mais de 15 idiomas, alcançando leitores em diversos países.
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Reconhecimento nacional e internacional
A entrada de Hatoum na ABL reforça a representatividade cultural da Amazônia no cenário literário brasileiro. Até então, nenhum escritor amazonense havia alcançado tal distinção, tornando o feito um símbolo de valorização da produção intelectual da região.
“Milton Hatoum leva para a ABL a força narrativa, a riqueza cultural e o olhar sensível sobre a Amazônia. É motivo de orgulho para todos nós”, declarou o Governo do Amazonas em nota oficial.
A posse do escritor na Academia ainda não tem data definida, mas a expectativa é de que ocorra nos próximos meses, em cerimônia no Rio de Janeiro.
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