Moradores protestam contra lixão ilegal em Iranduba e pedem interdição imediata
Comunidades denunciam doenças, contaminação ambiental, omissão da prefeitura e cobram ação urgente da Defensoria Pública e do Estado.
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Notícias do Amazonas – A insatisfação com o lixão a céu aberto de Iranduba, que opera há mais de 30 anos de forma irregular, levou mais de 100 moradores do município a realizarem um protesto nesta quarta-feira (28) na sede da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), em Manaus. Os manifestantes exigem a interdição imediata do local, apontando impactos graves à saúde pública, ao meio ambiente e à dignidade de famílias que vivem nas proximidades da área de descarte de resíduos.
Representantes de diversas comunidades relataram o agravamento de doenças, a contaminação de igarapés, o avanço do chorume pelas ruas e a ausência de medidas efetivas por parte da Prefeitura de Iranduba, atualmente sob gestão do prefeito Augusto Ferraz (União Brasil).
Comunidades denunciam crise ambiental e sanitária
Moradores das comunidades São Francisco, São Sebastião, Nova Conquista, Novo Paraíso e São José II apresentaram relatos sobre os impactos diretos do lixão na rotina local. Segundo eles, o descarte irregular de resíduos tem provocado mau cheiro constante, proliferação de insetos e roedores, poluição do solo e da água, além do aumento de problemas respiratórios, dermatológicos e gastrointestinais.
Os manifestantes afirmam que a situação se agravou nos últimos anos, sem que haja um plano efetivo de encerramento do lixão ou implantação de um aterro sanitário regularizado.
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Defensoria anuncia vistoria técnica e possível ação judicial
Após o protesto, os moradores foram recebidos pelo defensor público Carlos Almeida Filho, da Unidade de Direitos Coletivos, que afirmou que a DPE-AM irá intervir diante da omissão do poder público municipal.
Segundo ele, a primeira providência será a realização de uma vistoria técnica no lixão, com a participação de um engenheiro da Defensoria, do defensor público local e de órgãos estaduais como o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente.
A Prefeitura de Iranduba será oficialmente comunicada sobre a inspeção. Caso o município não apresente uma solução ambientalmente adequada, como a implantação de um aterro sanitário, a Defensoria poderá recorrer à Justiça para solicitar a interdição do lixão.
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“O lixo chegou ao igarapé”, alerta defensor
Carlos Almeida relatou que visitou a área do lixão em 2023 e se disse alarmado com o cenário encontrado. Segundo ele, mesmo após audiências públicas e promessas de encerramento do local feitas pela gestão municipal, nenhuma medida concreta foi implementada.
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“Naquele momento, eu estava discutindo o encerramento do lixão e o tratamento de um aterro sanitário, com cobertura e tudo. Mas, segundo quem nos procurou, isso desandou. Não está funcionando”, afirmou.
O defensor também alertou para o avanço da poluição hídrica.
“O lixo chegou ao igarapé e agora está transbordando para a estrada. A insalubridade, o perigo e a violação ambiental são certos”, declarou.
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Moradores relatam intimidação e abandono do poder público
Durante a reunião na Defensoria, líderes comunitários criticaram a atual gestão municipal e denunciaram supostas tentativas de intimidação contra moradores que cobram providências.
O presidente da Associação dos Moradores e Agricultores Rurais da Comunidade São José II, Benedito Leite, afirmou que há recursos públicos, mas que eles não estariam sendo aplicados de forma adequada.
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“Se nós cobramos, é porque sabemos que existe dinheiro, mas infelizmente é entregue de forma inadequada em nossas comunidades. Nosso polo de saúde está precário e a UBS caindo em pedaços”, disse.
Já o presidente da Associação da Comunidade São Francisco, André Peres, relatou pressão sobre lideranças locais.
“O poder público do município tenta calar a gente de todas as formas. Nossas demandas chegam na prefeitura, mas não são respeitadas”, afirmou.
Chorume nas ruas e máquina abandonada no lixão
A moradora Clébia Bezerra, do Ramal do Caminhoneiro, denunciou o avanço da degradação ambiental e o descaso com a infraestrutura urbana.
“O chorume está no meio da rua, em cima de um asfalto de péssima qualidade. Era para Iranduba ser um município bonito, mas hoje é uma vergonha”, relatou.
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Ela também afirmou que uma escavadeira da prefeitura, avaliada em cerca de R$ 1 milhão, estaria abandonada dentro do lixão e sendo gradualmente soterrada pelo próprio lixo — o que, segundo moradores, simboliza o desperdício de recursos públicos.
Famílias sobrevivem do lixão em condições degradantes
O agricultor João Oliveira da Silva, morador do Ramal do Creuza, destacou o impacto social da permanência do lixão e a situação de famílias que dependem da coleta informal de resíduos para sobreviver.
“As famílias se humilham para sobreviver, ganhando R$ 10 ou R$ 15 o dia todo naquele mau cheiro. Isso é resultado do abandono da população mais pobre”, afirmou.
Segundo ele, a falta de políticas públicas para geração de renda e inclusão social empurra moradores para condições insalubres e degradantes.
Pressão por solução definitiva
O caso reacende o debate sobre a responsabilidade dos municípios na destinação correta de resíduos sólidos e o cumprimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que prevê o encerramento de lixões a céu aberto e a adoção de aterros sanitários ambientalmente adequados.
Enquanto a Defensoria Pública avança com medidas técnicas e jurídicas, moradores de Iranduba afirmam que continuarão mobilizados até que uma solução definitiva seja apresentada para encerrar o lixão e reduzir os impactos ambientais, sanitários e sociais que afetam a região há décadas.
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