MPF alerta para mais de mil pistas clandestinas de pouso usadas pelo garimpo ilegal no Amazonas
Órgão aponta falhas na fiscalização e diz que estado segue desprotegido diante do avanço do garimpo ilegal.
- Foto: Chico Batata/Greenpeace
Resumo
O Ministério Público Federal alertou que mais de mil pistas clandestinas ligadas ao garimpo ilegal foram identificadas na Amazônia. Apesar disso, o Amazonas segue com baixa fiscalização, e o MPF cobra da Justiça um plano urgente para combater os aeródromos irregulares.
Notícias do Amazonas – O Ministério Público Federal (MPF) acendeu um alerta sobre a expansão de pistas de pouso clandestinas utilizadas pelo garimpo ilegal na Amazônia. Segundo o órgão, mais de mil aeródromos irregulares já foram identificados na região, evidenciando a dimensão do problema e a fragilidade da fiscalização.
Apesar do cenário, o Amazonas — um dos estados mais afetados pela atividade ilegal — permanece praticamente desprotegido, de acordo com manifestação enviada pelo MPF à Justiça Federal.
Pedido de ação urgente está na Justiça
Diante da gravidade da situação, o MPF solicitou à 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária a criação imediata de um plano de ação para identificar, fiscalizar e interditar essas estruturas ilegais.
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A demanda não é nova. Em setembro de 2025, o órgão já havia ingressado com uma ação civil pública contra instituições como a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Ibama, ICMBio, União e órgãos ambientais estaduais.
Agora, o MPF reforça que, meses depois, pouco avançou — e o cenário, segundo dados oficiais, piorou.
Dados mostram crescimento do problema
Levantamentos apresentados no processo indicam aumento no número de pistas clandestinas. O Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) identificou 844 pistas irregulares na Amazônia Ocidental, crescimento de 12,6% em um ano.
Já a Anac informou ter mapeado mais de 1.200 pistas clandestinas em toda a Amazônia, número que reforça a dimensão da logística usada pelo garimpo ilegal.
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Essas pistas são utilizadas principalmente para transporte de equipamentos, combustível e escoamento de ouro extraído ilegalmente.
Fiscalização concentrada em Roraima
Um dos principais pontos criticados pelo MPF é a concentração das ações de fiscalização em Roraima, especialmente na Terra Indígena Yanomami.
Entre 2022 e 2024, a Aeronáutica realizou 156 operações de policiamento aéreo — todas no estado. A Anac, no mesmo período, abriu 94 processos, sendo 74 em Roraima.
Nos demais estados, os números são significativamente menores: apenas 11 processos no Amazonas, cinco em Rondônia e quatro no Acre.
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Órgãos admitem limitações e trocam responsabilidades
O MPF também apontou falhas na atuação dos órgãos responsáveis. O Ibama reconheceu que suas operações se concentraram em áreas específicas, como as terras indígenas Yanomami (Roraima) e Munduruku (Pará).
Além disso, o órgão afirmou que o garimpo no Amazonas e em Rondônia utiliza pouco o transporte aéreo — argumento contestado pelo MPF com base em dados e investigações.
A Anac, por sua vez, alegou não ter competência para inutilizar pistas clandestinas. Já Ibama e ICMBio citaram falta de equipamentos e transferiram a responsabilidade para as Forças Armadas.
Enquanto isso, órgãos estaduais também apresentaram baixa atuação: no Amazonas, apenas dois processos foram registrados, ambos contra a mesma pessoa. Em Rondônia, houve apenas um auto de infração.
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Falta de coordenação agrava cenário
Para o MPF, a ausência de integração entre os órgãos públicos contribui diretamente para o avanço do garimpo ilegal.
O órgão destacou ainda uma contradição: em processos anteriores, o próprio Ibama defendeu a inutilização de pistas como medida essencial de combate à atividade ilegal, mas agora considera a ação inviável.
MPF cobra plano com metas e prazos
Diante do cenário, o Ministério Público Federal afirmou estar disposto a construir uma solução conjunta, mas cobra medidas concretas.
Entre as exigências estão a definição clara de responsabilidades, metas mensuráveis e um cronograma compatível com a urgência da situação.
Garimpo ilegal segue avançando na região
A existência de pistas clandestinas reforça a estrutura organizada do garimpo ilegal na Amazônia, que continua avançando mesmo diante de operações pontuais.
Sem um plano integrado e ações efetivas, o risco é que o problema se amplie — e continue operando, literalmente, por debaixo do radar.
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Declaração de Transparência
Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.
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