Operação Quimera: esquema sofisticado usava créditos falsos para enganar governo e sonegar milhões em Manaus
Investigação mira consultoria que utilizava documentos falsos para compensar R$ 244 milhões em impostos; esquema envolve lavagem de dinheiro e uso irregular de CPFs.
- (Foto: Divulgação)
Notícias do Amazonas – A Receita Federal, em parceria com a Polícia Federal, deflagrou na manhã desta quarta-feira (10/9) a Operação “Quimera Fiscal”, que visa desarticular uma sofisticada estrutura de consultoria responsável por fraudes envolvendo a Declaração de Compensação de créditos tributários.
A ação busca reunir provas adicionais sobre crimes de falsidade documental e lavagem de dinheiro, praticados mesmo após a deflagração da Operação Ornitorrinco, em março deste ano.
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O esquema fraudulento abrange compensações tributárias de 187 contribuintes distribuídos em 65 municípios de 14 estados brasileiros, totalizando um montante superior a R$ 244 milhões.
O principal investigado teria obtido ilegalmente cinco números de CPF para viabilizar as fraudes.
Quatro mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos nas residências dos suspeitos nas cidades de São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo (SP), e Porto Alegre (RS).
Como funcionava o golpe
Durante a análise dos documentos apreendidos na Operação Ornitorrinco, a Receita Federal identificou “cessões” fraudulentas de créditos tributários supostamente reconhecidos em processos judiciais contra a União e o antigo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA).
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Para dar uma aparência de legitimidade, a consultoria utilizava Guias de Recolhimento da União (GRU) com valores simbólicos e referências a processos judiciais reais, criando uma falsa sensação de respaldo legal.
A consultoria transmitia administrativamente os pedidos de compensação (PER/DCOMP), que têm efeito imediato, para extinguir créditos tributários indevidamente.
Em troca, recebia até 70% do valor dos impostos compensados, recursos que eram usados para aquisição de bens de luxo e imóveis no Brasil e no exterior, registrados em nome de empresas e laranjas, dificultando a recuperação dos valores.

Impacto no mercado e orientações
Além do prejuízo direto à arrecadação federal, o esquema compromete a concorrência no mercado, favorecendo indevidamente quem utiliza práticas ilegais e expondo o contribuinte a riscos como multas, bloqueio de patrimônio e processos criminais.
A Receita Federal alerta para que contribuintes evitem soluções milagrosas envolvendo compra ou venda de créditos tributários e denunciem essas práticas pela Ouvidoria no portal Fala.br.
Origem do nome
“Quimera Fiscal” faz referência à criatura mitológica formada por partes diferentes, simbolizando a mistura de documentos reais e falsificados para criar um esquema fraudulento com aparência legal.
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Declaração de Transparência
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