PF investiga esquema de cobrança de “pedágio” para repasse de emendas; deputado do caso dos ‘dólares na cueca’ é citado
Atual líder do governo Lula na Câmara aparece citado na apuração.
- Foto: Ricardo Stuckert
Notícias do Brasil – A Polícia Federal abriu uma investigação que expõe um suposto esquema de corrupção envolvendo a cobrança de até 12% de “pedágio” para a liberação de emendas parlamentares destinadas a prefeituras do Ceará. O nome do deputado José Guimarães (PT-CE), atual líder do governo Lula na Câmara dos Deputados, aparece citado na apuração, embora ele negue qualquer envolvimento. A informação é do Jornal O Globo.
José Guimarães, que atualmente exerce a função de líder do governo Lula na Câmara, tem a trajetória marcada por um episódio que ainda levanta questionamentos: em 2005, seu então assessor parlamentar, José Adalberto Vieira da Silva, foi flagrado com US$ 100 mil escondidos na cueca e mais US$ 200 mil em uma maleta, enquanto tentava embarcar no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Apesar da gravidade do caso, José Guimarães nunca foi julgado nem condenado. Em 2021, a Justiça declarou a prescrição do processo.
PUBLICIDADE
Leia também: Ivete Sangalo, Ludmilla, Simone, Joelma e Gusttavo Lima estão entre as atrações confirmadas no #SouManaus 2025
Além de Guimarães, os deputados Eunício Oliveira (MDB) e Yury do Paredão (MDB) também foram mencionados em conversas interceptadas durante operações de busca e apreensão. Os diálogos foram extraídos de celulares apreendidos com Carlos Alberto Queiroz, o Bebeto do Choró (PSB), eleito prefeito de Choró (CE) em 2023, mas impedido de tomar posse por decisão da Justiça Eleitoral.
A investigação foi autorizada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e busca esclarecer como recursos públicos federais teriam sido direcionados de forma ilegal para campanhas eleitorais e licitações fraudadas em municípios cearenses.
“Imposto” sobre emendas
Segundo relatório da PF, a organização criminosa, supostamente liderada por Júnior Mano, deputado federal do Ceará, operava um esquema de venda de emendas parlamentares. Os recursos eram destinados a prefeituras previamente cooptadas e, em troca, era exigido um retorno financeiro de 12%, tratado pelos envolvidos como “imposto” ou “pedágio”.
PUBLICIDADE
As mensagens interceptadas mostram que o grupo operava com uma estrutura organizada. Em uma delas, interlocutores de Bebeto tratam diretamente com um assessor de Mano, identificado como “Adriano Escritório Junior Mano”, sobre o repasse de emendas e a divisão dos valores desviados.
A Polícia Federal aponta que empresas ligadas ao grupo político foram favorecidas com contratos públicos, especialmente em áreas como infraestrutura e saúde, abastecendo campanhas eleitorais de aliados em diversas prefeituras do interior do estado.
José Guimarães nega envolvimento
Apesar das menções a Guimarães nas mensagens interceptadas, o deputado nega participação no esquema e ressaltou, por meio de nota oficial, que não foi alvo da operação da PF. Ele também afirmou que não destinou emendas ao município de Choró, um dos principais alvos da investigação.
“Reafirmo o fato de que não destinei emendas parlamentares à localidade de Choró. Inclusive, nas eleições municipais mais recentes, disputamos contra o atual prefeito, tendo nosso candidato do PT sido derrotado nas urnas”, declarou Guimarães, que também ficou conhecido no passado por envolvimento no caso dos “dólares na cueca”, escândalo que marcou o início dos anos 2000.
Esquema mirava eleições municipais
De acordo com a PF, os recursos desviados teriam como objetivo fortalecer politicamente aliados do grupo de Júnior Mano nas eleições municipais de 2024. Prefeituras comandadas por aliados receberiam emendas com cláusulas informais de devolução de parte dos recursos aos operadores do esquema.
O caso chama atenção por envolver recursos federais com destinação constitucional e por apontar uma prática recorrente de corrupção que compromete diretamente a gestão pública local. A investigação destaca que o desvio de verbas parlamentares, originalmente voltadas para obras e serviços em municípios carentes, agrava desigualdades regionais e prejudica diretamente a população.
Encontrou algum erro? Clique aqui e nos ajude a melhorar a informação
Declaração de Transparência
Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.
Siga-nos






