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Prefeituras do Amazonas temem “Super El Niño” e acionam governo federal por ajuda antes da seca de julho

Municípios ainda sofrem com cheia dos rios, mas relatórios meteorológicos indicam risco de estiagem histórica em 2026

Por Arquipo Goes

19/05/2026 às 07:56 - Atualizado em 09/06/2026 às 21:38

Cheia dos rios no AM: FVS orienta população sobre riscos de doenças e acidentes

Foto: Divulgação

Resumo

Enquanto a cheia dos rios ainda afeta 150 mil pessoas no Amazonas, as prefeituras do estado já buscam apoio do governo federal para enfrentar a próxima seca, que começa em julho. A preocupação é com o risco de um “Super El Niño”, cujas projeções indicam que a estiagem de 2026 pode atingir os níveis críticos de 2023 e 2024.

Notícias do Amazonas – O estado do Amazonas vive um paradoxo climático severo. Enquanto a subida dos rios ainda castiga mais de 150 mil pessoas em 16 municípios, as prefeituras do interior começaram uma corrida contra o tempo para se preparar para o próximo período de seca, previsto para iniciar em julho. O sinal de alerta foi ligado após relatórios internacionais indicarem a iminência de um “Super El Niño”, com potencial para repetir o rastro de isolamento e desabastecimento das estiagens históricas de 2023 e 2024.

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Leia também: El Niño de 2026 pode ser o mais forte em 150 anos, aponta agência científica dos EUA

Logística eleitoral sob ameaça e alta de custos

A Associação Amazonense de Municípios (AAM) enviou um ofício ao Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) solicitando auxílio humanitário e logístico preventivo, mas ainda não obteve resposta. O grupo municipalista também acionou formalmente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O motivo é o impacto direto que a seca extrema trará para as eleições deste ano.

Segundo o presidente da AAM, Anderson Sousa, a baixa dos rios encarece de forma dramática a locomoção na região. Com os rios secos, embarcações maiores não navegam, exigindo rotas mais longas ou o uso de transportes menores que consomem muito mais combustível.

“No interior, muitas vezes, é a prefeitura que precisa lidar com o transporte dos eleitores e, na seca, o custo fica muito maior. Um custo de combustível de embarcação para todo o período, que a gente paga R$ 20 mil, vai a R$ 50 mil por causa das secas extremas”, revelou o dirigente.

Entre 2023 e 2024, mais de 800 mil amazonenses foram afetados pela estiagem, que provocou desabastecimento de comida e deixou até a zona rural de Manaus sem acesso a água potável.

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Alerta da ciência e o fator oceanos

Os dados que sustentam o medo dos prefeitos vêm da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), dos Estados Unidos, que aponta probabilidade de formação do El Niño acima de 60% entre maio e julho, escalando para 90% a partir de agosto de 2026. Somado a isso, o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus revelou que as águas dos oceanos podem registrar recordes de temperatura antes mesmo da consolidação do fenômeno.

O cientista Carlos Nobre, referência global em mudanças climáticas, ressalta a importância do planejamento preventivo baseado em probabilidades. Segundo o meteorologista, os modelos atuais dividem as chances em 20% para um evento forte, 20% para muito forte e 20% para caráter médio, cenário que ficará mais nítido entre junho e julho.

“A adaptação é um enorme desafio. Em 2023 e 2024, eram centenas de milhares de populações da Amazônia prejudicadas. Não tinha mais o rio, havia falta de água potável, dificuldade de obter alimento, prejuízos na economia. Então, é preciso começar a planejar adaptação”, alertou Carlos Nobre.

Plano com calcário para frear queimadas recordes

Além do desabastecimento, o fogo é outra grande dor de cabeça. Em 2024, o Amazonas bateu um recorde histórico ao registrar mais de 25 mil focos de calor devido à vegetação extremamente seca.

Para tentar conter o problema na base, a AAM apresentou um projeto técnico à Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e ao Ministério da Agricultura. A ideia é equipar as prefeituras com patrulhas mecanizadas — incluindo tratores, retroescavadeiras e trituradores de madeira — para incentivar os pequenos produtores rurais a limparem seus terrenos sem usar o fogo.

Tradicionalmente, os agricultores queimam a mata porque o carvão fertiliza a terra a curto prazo. A associação defende a substituição dessa prática pelo uso do calcário para a correção do solo, garantindo a produtividade da terra sem colocar a floresta em risco durante o “verão amazônico”. O plano aguarda a liberação de recursos do governo federal.

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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