Região Norte é uma das mais afetadas pelo tarifaço de Trump, aponta FGV
A medida, oficializada por ordem executiva do presidente Donald Trump no último dia 30 de julho, entrou em vigor nesta quarta-feira.
- Foto: reprodução
Notícias do Amazonas – As regiões Norte e Nordeste do Brasil estão entre as mais impactadas pela nova tarifa de 50% imposta pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida, oficializada por ordem executiva do presidente Donald Trump no último dia 30 de julho, entrou em vigor nesta quarta-feira (6/8) e afeta diretamente cadeias produtivas com menor capacidade de absorção interna, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV).
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O levantamento, coordenado pelo pesquisador Flávio Ataliba, do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste do Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre), mostra que, mesmo com apenas 3,9% das exportações da região Norte tendo os EUA como destino, o impacto é significativo. Isso se dá pela concentração em pequenos produtores e cooperativas, como é o caso do mel natural exportado pelo Piauí e das frutas frescas embarcadas por estados do Nordeste, como Pernambuco e Bahia.
No Nordeste, o Ceará lidera a lista dos estados com maior percentual de exportações para os EUA, com 44,9%, destacando-se nos segmentos de pescados, calçados, artigos de couro, ferro fundido e aço. Em seguida aparecem a Paraíba (21,64%), com exportações de açúcar, calçados e couro, e Sergipe (17,1%), com sucos, resinas e óleos vegetais.
Enquanto isso, no Sudeste – responsável por 71% das exportações brasileiras para os EUA – o impacto do tarifaço é menor. A região tem pauta exportadora mais diversificada e industrializada, incluindo aeronaves e petróleo, que foram isentados da nova tarifa.
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No Centro-Oeste, onde predominam exportações de carnes, grãos e minérios, os efeitos também devem ser limitados. Já o Sul, com foco em móveis e carnes suína e de aves, enfrenta um risco médio de impacto.
A nova taxação dos EUA foi justificada com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, de 1977, e inclui a declaração de uma nova emergência nacional voltada especificamente ao Brasil. O governo americano classificou o país como um risco à segurança nacional, e aplicou uma sobretaxa de 40% sobre os 10% já existentes.
Apesar de uma lista com cerca de 700 produtos isentos – como suco e polpa de laranja, minérios de ferro e componentes de aeronaves – itens como café, carne e frutas continuam sendo alvo da tarifa, o que agrava a situação de produtores do Norte e do Nordeste brasileiro.
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