Seca no Amazonas pode impactar Black Friday e Natal em todo o Brasil
Empresas de navegação passaram a cobrar “taxas de seca” que vão de R$ 3 mil a R$ 10 mil por contêiner.
- Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace
Amazonas – A grave seca que afeta o estado do Amazonas está começando a ter impactos significativos no transporte de cargas por hidrovia na região, levantando preocupações sobre o escoamento da produção da Zona Franca de Manaus para o restante do país. A temporada de secas, embora não seja uma novidade na região, geralmente ocorre entre os meses de outubro e dezembro. No entanto, este ano, devido ao fenômeno do El Niño, a seca chegou mais cedo, resultando em níveis de água que estão baixando mais de 30 centímetros por dia, de acordo com a Associação Brasileira de Armadores de Cabotagem.
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Empresas de logística que operam na região alertam que essa seca antecipada e intensa pode afetar não apenas o abastecimento local, mas também o escoamento da produção da Zona Franca de Manaus, com potencial impacto nos custos de transporte e logística.
Recentemente, empresas de navegação começaram a cobrar “taxas de seca” que variam de R$3 mil a R$10 mil por contêiner, e muitas delas suspenderam a aceitação de novas reservas até meados de outubro devido à incerteza quanto às restrições à navegação.
Esse cenário preocupante ocorre durante o período de alta demanda, quando o comércio se prepara para as vendas de fim de ano, que incluem a Black Friday e o Natal. Produtos como eletrônicos, veículos, eletrodomésticos e outros itens produzidos na Zona Franca de Manaus podem ser afetados pela dificuldade no transporte.
Uma alternativa que está sendo considerada é o transporte rodofluvial, que combina o uso de caminhões e balsas, permitindo a navegação em águas mais rasas. No entanto, essa opção é cerca de 50% mais cara e tem capacidade limitada de escoamento em comparação com o transporte fluvial convencional.
O ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, anunciou que se reunirá com os governadores do Amazonas e de Rondônia para discutir a seca dos rios na região e está preparando um contrato para dragagem, a fim de mitigar os impactos dessa situação preocupante.
As empresas e autoridades locais estão atentas à evolução da seca e às medidas necessárias para minimizar seus efeitos sobre o transporte e a economia da região.
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