Tambaqui entra na lista de espécies ameaçadas e acende alerta sobre estoques naturais no Amazonas
Peixe mais consumido pelos amazonenses foi classificado como vulnerável; especialistas defendem mais monitoramento.
- O tambaqui foi incluído na lista nacional de espécies da fauna ameaçadas de extinção na categoria Vulnerável (VU), com avaliação do ICMBio destacando pesca não manejada, captura de exemplares abaixo do tamanho mínimo e degradação de várzea como principais ameaças.
- As avaliações indicam queda populacional de 30% a 40% entre 1978 e 2044, com projeção de até 43,4% de redução em três gerações, ainda que existam lacunas significativas de dados.
- O ICMBio recomenda uma moratória de cinco anos à pesca comercial, manejo das atividades e mais estudos, enquanto há resistência política, como o PDL 767/2026 no Senado, e a piscicultura é vista como parte da demanda por abastecimento, não substituindo a conservação.
Este resumo foi gerado automaticamente por inteligência artificial.
- Foto: Divulgação
Notícias do Amazonas – O tambaqui (Colossoma macropomum), um dos peixes mais consumidos no Amazonas, passou a integrar a lista nacional de espécies da fauna ameaçadas de extinção na categoria “Vulnerável” (VU). A classificação indica risco de redução das populações naturais e levou a um alerta sobre a situação dos estoques pesqueiros na Amazônia.
A inclusão consta da Portaria GM/MMA nº 1.667/2026, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, elaborada a partir de avaliações técnicas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Segundo a avaliação do ICMBio, fatores como pesca não manejada, captura de exemplares abaixo do tamanho mínimo, degradação de áreas de várzea e falta de monitoramento dos desembarques estão entre as principais ameaças à espécie.
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Estoques naturais de tambaqui apresentam sinais de redução
A avaliação técnica aponta uma possível redução populacional de 30% a 40%, considerando o período de 1978 a 2044. O ICMBio também registra que o desembarque de tambaqui no porto de Manaus caiu 90% entre 1976 e 1996, enquanto o esforço de pesca quadruplicou no mesmo período.
Modelos populacionais utilizados na avaliação projetam ainda uma redução global de 43,4% da população da espécie em três tempos geracionais. O tempo geracional do tambaqui foi estimado em 22 anos. A classificação como vulnerável, porém, não significa que a espécie esteja prestes a desaparecer de todos os rios da Amazônia.
Biólogo pede cautela na interpretação dos dados
O doutor em Ecologia Aquática Edinbergh Caldas de Oliveira afirma que ainda existem lacunas importantes no conhecimento sobre os estoques naturais de tambaqui em toda a bacia amazônica. Segundo o especialista, faltam levantamentos abrangentes sobre as populações e dados estatísticos contínuos sobre o volume de tambaquis capturados na natureza e comercializados nos principais mercados.
“Não temos atualmente o levantamento completo de dados em nossos rios, ou seja, um acompanhamento de dados estatísticos das populações, nem do volume do desembarque dos tambaquis pescados na natureza que chega nos mercados da calha do rio Amazonas.”
Para Edinbergh, estudos pontuais apontam percepção de redução dos estoques, mas ainda não seriam suficientes para afirmar que ocorreu um declínio acentuado das populações em toda a Amazônia.
“Por isso, apesar da percepção de diminuição desses estoques, por meio de alguns estudos pontuais em poucas áreas de várzea próximas à região da Amazônia Central, ainda são dados insuficientes para afirmarmos esse declínio como acentuado nas populações de tambaqui na natureza.”
Pesca não manejada está entre as principais ameaças
De acordo com o ICMBio, a pesca sem manejo adequado é uma das principais ameaças ao tambaqui. A avaliação cita também a captura de exemplares abaixo do tamanho mínimo permitido, atualmente estabelecido em 55 centímetros, além da perda de áreas de várzea e da ausência de monitoramento adequado dos desembarques.
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Outro dado chama atenção: cerca de 61% da área de ocorrência do tambaqui está em locais sem proteção formal, onde há pesca não manejada. Outros 21% estão em Unidades de Conservação e 18% em Terras Indígenas.
O ICMBio classifica a população da espécie como “declinando”.
Espécie depende de grandes áreas para completar ciclo de vida
O tambaqui é uma espécie migradora e utiliza diferentes ambientes durante seu desenvolvimento.
Segundo Edinbergh, o peixe precisa de grandes extensões de rios para completar seu ciclo de vida, que envolve a migração para áreas de desova, dispersão de ovos e larvas e posterior entrada dos juvenis em áreas alagadas, onde ocorre alimentação e crescimento.
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“Pois trata-se de uma espécie de peixe migrador que precisa de áreas de mais de 500 km de rio para completar todo o seu ciclo de vida, que inclui migração rio acima para desovar, depois dispersão de ovos e larvas de peixes rio abaixo para entrar na várzea durante a enchente, distribuição dos juvenis por áreas de alimentação e crescimento nos lagos e igapós.”
Além da pesca, o especialista aponta outros fatores que podem afetar esses ambientes, como aquecimento global, construção de barragens e pontes e garimpo.
Piscicultura ajuda no abastecimento, mas não substitui preservação
A produção de tambaqui em cativeiro também aparece na avaliação do ICMBio. Segundo o órgão, a expansão da piscicultura contribuiu para diminuir a pressão da pesca direcionada aos estoques naturais nos últimos 20 anos, embora não seja possível medir precisamente o impacto dessa atividade.
Em Manaus, a maior parte do tambaqui comercializado atualmente é proveniente da piscicultura.
Para Edinbergh, a criação em cativeiro pode ajudar a garantir o abastecimento, mas não elimina a necessidade de preservar os ambientes naturais onde a espécie ocorre.
“A produção controlada da piscicultura resolve o problema do abastecimento para a população por meio dos restaurantes, mas distrai os olhares de proteção dos ambientes naturais, o que pode causar uma diminuição ou negligência aos ecossistemas aquáticos, em virtude de se gerar uma falsa impressão de que o problema da espécie está resolvido, e não está na realidade.”
O ICMBio também aponta que eventuais escapes de peixes criados em cativeiro podem representar riscos relacionados à transmissão de patógenos e a questões genéticas.
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ICMBio recomenda moratória de cinco anos
Entre as medidas indicadas pelo ICMBio para a conservação do tambaqui está uma moratória de cinco anos para a pesca comercial na Amazônia brasileira. A avaliação também recomenda o ordenamento e manejo da pesca, estudos sobre as populações naturais, monitoramento dos desembarques e manutenção das regras relacionadas ao tamanho mínimo de captura e ao período de defeso.
Edinbergh defende cautela na adoção de medidas que possam atingir diretamente pescadores e comunidades ribeirinhas.
Para o especialista, é necessário ampliar o conhecimento sobre os estoques antes da adoção de medidas abrangentes.
“Finalmente, o que podemos afirmar nesse momento é cautela ao se proibir, pois existe um alerta da necessidade de preservação em áreas não protegidas (60%), mas, por outro lado, existem populações de ribeirinhos e pescadores que dependem dessa atividade e desse recurso para sobreviver.”
Entre as prioridades apontadas pelo biólogo estão o mapeamento de áreas sem proteção, reforço da fiscalização dos desembarques e produção de estatísticas mais completas sobre a pesca.
Tambaqui pode chegar a 45 quilos
De acordo com a ficha técnica do ICMBio, o tambaqui pode alcançar aproximadamente 1,2 metro de comprimento e pesar até 45 quilos. As fêmeas podem produzir mais de 1 milhão de ovócitos. Durante o período reprodutivo, os peixes formam grandes cardumes e realizam migrações para áreas de desova.
A alimentação muda ao longo do desenvolvimento. A espécie consome zooplâncton, folhas, sementes e frutos, sendo sementes e frutos itens frequentes na alimentação dos exemplares adultos. A classificação como vulnerável coloca o tambaqui no centro de um debate que envolve conservação ambiental, pesca, abastecimento, piscicultura e sobrevivência econômica de comunidades amazônicas.
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Declaração de Transparência
Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.
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