Último igarapé vivo de Manaus está ameaçado
Água Branca, localizado no bairro Tarumã, sofre com obras, desmatamento e poluição; ativistas e pesquisadores alertam para risco de desaparecimento.

Último igarapé vivo de Manaus está ameaçado – Foto: Amazônia Real
Notícias do Amazonas – Considerado o último igarapé limpo e preservado da área urbana de Manaus, o igarapé Água Branca, no bairro Tarumã, zona oeste da cidade, enfrenta uma série de ameaças provocadas pelo avanço da urbanização. A pressão de empreendimentos comerciais e residenciais, além do desmatamento e da poluição, coloca em risco a sobrevivência desse importante recurso natural.
Pressão urbana e degradação crescente
Pesquisas apontam que a microbacia do Água Branca vem sofrendo impactos desde 1986, com degradação das nascentes, abertura de loteamentos, construção de hotéis, shoppings e a duplicação da avenida do Turismo. Esses fatores alteraram a dinâmica ambiental da região, que é área de proteção permanente.
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De acordo com a professora Solange dos Santos Costa, do Departamento de Geociências da UFAM, a supressão da mata ciliar e o desmatamento aceleram processos de erosão e assoreamento, comprometendo a qualidade da água e a sobrevivência do ecossistema.
Obras irregulares e falhas no licenciamento
Denúncias feitas por ambientalistas, como o jornalista Jó Farah, indicam que empreendimentos avançam além do que está previsto nas licenças ambientais, afetando diretamente a nascente do igarapé. Em fevereiro, uma obra licenciada pelo Implurb desmatou parte da área de proteção e soterrou uma nascente, agravando o assoreamento.
A prefeitura informou que a licença seguia parâmetros legais, mas responsabilizou o empreendedor pelos danos. Para ativistas, o licenciamento é superficial e abre brechas para desastres ambientais.
Impacto na fauna e risco de extinção
De acordo com o Portal Amazônia Real, no igarapé vivem espécies como matrinxãs, traíras, bagres e jaraquis, além de animais ameaçados, como o sauim-de-coleira, símbolo de Manaus, e o tamanduaí, o menor tamanduá do mundo. O soterramento das nascentes e a redução do fluxo de água colocam em risco a sobrevivência dessas populações.
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“Quando se destrói a mata ciliar e o habitat desses animais, estamos condenando não só o Água Branca, mas todo o equilíbrio do ecossistema”, alerta Jó Farah.
Mobilização pela preservação
Desde 2018, o Projeto Trilha Ecológica Igarapé Água Branca promove visitas guiadas com estudantes, buscando conscientizar sobre a importância da preservação. Mais de 200 alunos já participaram da iniciativa, que transforma o igarapé em um laboratório ecológico a céu aberto.
Ativistas defendem a implementação de um plano diretor específico para o Tarumã e a suspensão de novas licenças na região. A proposta é de “desmatamento zero” pelos próximos anos, como forma de evitar que o igarapé seja completamente aterrado.
“Não se trata apenas do Água Branca, mas da sobrevivência do rio Tarumã-Açu e de toda a biodiversidade ligada a ele”, conclui Farah.
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Por: Mayara Leite – Redatora Seo On
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