Criança não é influenciador: é criança
Por Hugo Guimarães Gato.
- (Foto: Ilustrativa)
Nos últimos anos, virou moda ver crianças ocupando as telas do YouTube, TikTok e Instagram, como se fossem pequenos empreendedores digitais.
Mas eu faço questão de levantar uma reflexão: isso é saudável? Isso é justo? No Brasil, já temos uma legislação robusta — o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) — que garante proteção integral à infância. E é justamente com base nesse direito que precisamos rejeitar a ideia de transformar crianças em influenciadores.
O problema vai muito além da simples exposição. O que muitos chamam de “diversão” ou “brincadeira” nada mais é do que trabalho infantil disfarçado.
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A criança deixa de viver plenamente sua fase de formação para assumir rotinas de gravação, edição e interação que, muitas vezes, são mais pesadas do que a jornada de um adulto. Não podemos romantizar isso.
Os riscos da exposição precoce
1. Trabalho infantil digital – horas de gravação, ensaios e compromissos com marcas. Isso não é lazer, é exploração.
2. Impactos psicológicos – a busca incessante por curtidas e validação pode gerar ansiedade, frustração e até depressão precoce.
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3. Vulnerabilidade – crianças expostas online ficam à mercê de predadores digitais e situações de risco.
4. Infância roubada – ao invés de brincar, estudar e conviver de forma saudável, a criança passa a viver sob pressão do algoritmo.
O oportunismo político
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Agora, vemos políticos tentando se aproveitar desse debate, apresentando projetos de lei que, em vez de proteger, abrem brechas para legalizar e até estimular a prática.
Isso não é defesa da infância, é oportunismo. Em nome de visibilidade fácil e de uma pauta populista, tentam flexibilizar direitos já garantidos pelo ECA.
Se realmente quisessem proteger, esses mesmos políticos estariam fortalecendo campanhas de conscientização digital para famílias, fiscalizando abusos já existentes e garantindo que a legislação seja cumprida.
O que falta não é lei, é coragem política para aplicar o que já existe.
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Conclusão
Eu defendo que criança não pode ser tratada como vitrine de likes, nem como ativo digital. Criança é criança e deve ser preservada como tal.
O Brasil não precisa de novos projetos que camuflam exploração sob o nome de “influência digital”. O que precisamos é respeitar o ECA e garantir que a infância continue sendo o espaço de aprendizado, brincadeira e desenvolvimento saudável que nunca deveria deixar de ser.
✍️ Hugo Guimarães Gato
Jornalista e proprietário do AM POST
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