Amazonense confirmado no BBB25 era representante da Unick Forex que causou vários prejuízos; vítimas relembram golpe
Marcelo Prata divulgava a Unick Forex, esquema que causou prejuízos a várias pessoas.
- Foto: reprodução
BBB25 – A confirmação do casal amazonense Marcelo Prata e Arleane Marques no BBB 25, da TV Globo, foi marcada por entusiasmo e comemoração entre seus familiares e amigos. No entanto, a entrada dos dois no reality show não passou despercebida por alguns moradores de Manaus, que reavivaram polêmicas sobre o passado de Marcelo, apontado como líder local da empresa Unick Forex, uma pirâmide financeira que quebrou em 2019 e lesou cerca de 1,5 milhão de pessoas em R$ 12 bilhões, conforme a Polícia Federal (PF).
“Minha avó perdeu todas as economias da vida confiando nessa pirâmide. Isso não pode ser esquecido”, disse um internauta em uma publicação que anunciou a entrada de Marcelo Prata no BBB 25. “Metade de Manaus caiu nesse golpe da Unick. Quase que eu boto 3 conto [3 mil reais]. Não deu nem tempo”, comentou outro.
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Marcelo teria representado a Unick Academy, junto com seu irmão, Marcos Prata, em Manaus. A empresa financeira com sede em São Leopoldo (RS) prometia retornos de até 100% sobre o investimento em seis meses. Caso os clientes mantivessem o dinheiro por mais tempo, os lucros seriam ainda maiores. A promissora oferta atraiu diversos investidores, mas também chamou a atenção da Polícia Federal, que deflagrou a Operação Lamanai contra o grupo em 2019. Dez pessoas foram presas, mas Marcelo não esteve entre os detidos.
Marcelo era responsável por captar investidores por meio de promessas de ganhos fáceis. Inúmeras pessoas, motivadas por seus discursos, aplicaram economias de toda uma vida, resultando em prejuízos milionários quando o esquema desmoronou.
Em áudios vazados na época, Marcelo teria alertado os líderes da Unick sobre os problemas enfrentados com os clientes que representava em Manaus. “Eu, como líder de Manaus, estou pedindo pelo amor de Deus que façam isso. Eu sei que a empresa não pediu para ninguém vender casa, vender carro ou fazer empréstimo, mas acreditaram no projeto. Estou pedindo que a empresa priorize esses clientes que compraram esses pacotes e não receberam um centavo até agora”, declarou.
Defesa de Marcelo
Após repercussão do caso, a assessoria jurídica de Marcelo Parta emitiu nota afirmando que ele também é vítima do esquema financeiro. “Marcelo, assim como milhares de pessoas, foi vítima de um golpe financeiro por ter investido de boa-fé na Unick Forex, com sede no Rio Grande do Sul. Os responsáveis pela empresa já foram denunciados, presos e ainda respondem a processos”, afirmou o comunicado.
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A defesa ainda destacou que Marcelo não teve participação na administração da empresa e também sofreu perdas financeiras e morais. Segundo a nota, ele foi induzido a erro por artistas e empresários que divulgavam a Unick.
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Unick Forex: O Golpe Bilionário
Em 2018, a Unick Forex começou a atrair os holofotes da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), após denúncias de que a empresa operava de forma irregular no mercado financeiro. O alerta emitido pelo regulador naquele ano apontava que a empresa ofertava valores mobiliários sem autorização. Mesmo após a proibição de captar novos clientes, os operadores do esquema seguiram atuando, ampliando o impacto do golpe.
No ano seguinte, em 2019, a CVM instaurou um processo administrativo sancionador. Os responsáveis pela Unick Forex foram condenados a pagar multas que totalizaram R$ 12 milhões. Contudo, a atuação ilegal só foi efetivamente encerrada em outubro de 2019, com a deflagração da Operação Lamanai pela Polícia Federal. O esquema foi desmantelado, resultando no indiciamento de 15 pessoas, incluindo sócios e diretores, por crimes como organização criminosa e infrações contra o sistema financeiro nacional.
O relatório final da Polícia Federal revelou o impacto monumental da Unick Forex. Durante o período de atuação, a empresa movimentou cerca de R$ 28 bilhões de forma ilegal. Uma parte significativa desse montante foi utilizada para ostentação pessoal dos líderes do esquema, que adquiriram imóveis, veículos de luxo, joias e outros bens de alto valor.
As vítimas, estimadas em 1,5 milhão de pessoas, foram lesadas em R$ 12 bilhões. Muitas delas comprometeram suas economias, venderam bens e abriram mão de patrimônio acumulado ao longo de anos, acreditando na promessa de lucros fáceis.
O caso da Unick Forex serve como um alerta sobre os riscos de investimentos em esquemas que prometem retornos irreais. A tragédia financeira enfrentada por tantas pessoas reforça a importância de verificar a regularidade de empresas junto a órgãos reguladores, como a CVM, antes de investir.
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