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Ações na Justiça viram arma para silenciar jornalistas investigativos no Brasil; saiba como funciona o esquema

Processos conhecidos como SLAPP geram pressão financeira, emocional e ameaçam liberdade de expressão.

Por Natan AMPOST

28/05/2026 às 11:38 - Atualizado em 02/06/2026 às 08:26

Resumo

 

Ações judiciais intimidatórias, conhecidas como SLAPP, vêm sendo usadas para pressionar jornalistas, ativistas e denunciantes de corrupção por meio de processos considerados abusivos. Especialistas alertam para riscos à liberdade de expressão e ao combate à corrupção no Brasil.

Notícias do Brasil – O uso de processos judiciais para intimidar jornalistas, pesquisadores, ativistas e cidadãos que denunciam corrupção tem preocupado especialistas em liberdade de expressão e transparência pública. Conhecidas internacionalmente como SLAPPs — sigla para Strategic Lawsuits Against Public Participation — essas ações são apontadas como instrumentos de assédio judicial usados para silenciar críticas e reduzir a fiscalização sobre autoridades públicas e grandes empresas.

Na prática, o mecanismo funciona por meio da abertura de processos considerados abusivos ou desproporcionais, muitas vezes sem fundamentos sólidos, mas capazes de provocar desgaste financeiro, emocional e psicológico em quem faz denúncias de interesse público.

O objetivo, segundo especialistas, não é necessariamente vencer a causa na Justiça, mas criar medo e desestimular novas investigações, reportagens ou manifestações públicas.

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Como funciona o assédio judicial

As chamadas SLAPPs costumam atingir principalmente jornalistas investigativos, organizações da sociedade civil, pesquisadores, defensores de direitos humanos e cidadãos que expõem suspeitas de corrupção ou irregularidades.

Em muitos casos, empresas, políticos ou grupos economicamente poderosos entram com múltiplos processos simultâneos em diferentes tribunais, aumentando custos jurídicos e dificultando a defesa dos denunciantes.

Leia mais: Juiz atende pedido de Amom Mandel e impõe censura a jornalista em Manaus; decisão acende alerta sobre liberdade de imprensa

O efeito mais imediato costuma ser financeiro. Quem é alvo desse tipo de ação frequentemente precisa gastar recursos elevados com advogados, deslocamentos e produção de defesa técnica.

Especialistas chamam esse fenômeno de “efeito inibidor” ou chilling effect. O receio de enfrentar processos caros e demorados acaba afastando novas denúncias e reduzindo a participação pública em debates de interesse coletivo.

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Liberdade de expressão sob pressão

Além do impacto financeiro, as SLAPPs também levantam alertas sobre possíveis ameaças à liberdade de expressão e ao direito à informação.

Entidades ligadas à defesa do jornalismo afirmam que o uso excessivo do Judiciário pode se transformar em ferramenta de censura indireta, principalmente quando processos são utilizados para intimidar profissionais da imprensa.

Quando jornalistas e pesquisadores passam a sofrer perseguição judicial constante, outras pessoas tendem a evitar denúncias e investigações por medo de retaliação.

O resultado, segundo especialistas, é uma redução da fiscalização social e um ambiente mais favorável para corrupção e abuso de poder.

Caso Daphne Caruana Galizia virou símbolo internacional

Um dos casos mais conhecidos envolvendo perseguição judicial contra jornalistas ocorreu em Malta, na Europa.

A jornalista Daphne Caruana Galizia investigava corrupção, lavagem de dinheiro e crime organizado quando passou a enfrentar dezenas de processos judiciais.

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Antes de ser assassinada em um atentado a bomba em 2017, ela respondia a mais de 40 ações movidas contra seu trabalho jornalístico.

O caso ganhou repercussão internacional e impulsionou debates sobre proteção a jornalistas e combate ao assédio judicial.

Como consequência, a União Europeia aprovou a chamada “Lei Daphne”, voltada ao combate de ações judiciais abusivas contra profissionais da imprensa, ativistas e denunciantes de interesse público.

Brasil ainda não possui lei anti-SLAPP

Apesar do crescimento das discussões sobre o tema, o Brasil ainda não possui legislação específica para impedir ou punir ações judiciais intimidatórias.

Especialistas defendem a criação de mecanismos legais capazes de identificar rapidamente processos abusivos e evitar que o sistema de Justiça seja utilizado para perseguir críticos e denunciantes.

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Organizações de defesa da liberdade de imprensa também argumentam que a ausência de proteção legal deixa jornalistas independentes e pequenos veículos mais vulneráveis a pressões econômicas e judiciais.

Debate envolve combate à corrupção e democracia

Para estudiosos do tema, o problema ultrapassa o campo jurídico e impacta diretamente a democracia.

Isso porque denúncias, investigações e reportagens são consideradas ferramentas essenciais de fiscalização do poder público e de combate à corrupção.

Quando o medo de processos passa a limitar denúncias, especialistas alertam que o espaço para irregularidades aumenta.

A discussão sobre SLAPPs ganhou força internacionalmente justamente por envolver equilíbrio entre direito de defesa, liberdade de expressão e interesse público.

Enquanto países europeus avançam em legislações específicas, o debate sobre proteção contra assédio judicial ainda caminha lentamente no Brasil.

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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Nay Potarcio

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