Acusado de corrupção, Gladson Cameli se defende no STJ e diz que imóvel milionário alvo de investigação pertence ao seu pai
Governador do Acre é acusado de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, peculato e fraude a licitação.
- Foto: Divulgação
Nesta terça-feira (5), o governador do Acre, Gladson Cameli, prestou depoimento ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) em meio a um processo que envolve acusações de organização criminosa, corrupção passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude à licitação. Réu desde maio, Cameli enfrenta uma série de investigações que questionam sua participação em um esquema de corrupção que inclui, entre outros pontos, a compra de um imóvel de luxo em São Paulo, avaliado em mais de R$ 5 milhões.
Durante a sessão, Cameli negou a propriedade do imóvel, alegando que nunca esteve em seu nome e que a compra foi organizada por familiares, em especial seu irmão Gledson Cameli. Segundo o governador, o imóvel teria sido adquirido para dar conforto ao pai, que passava por tratamento contra o câncer na capital paulista.
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O apartamento em questão, comprado pouco depois da eleição de Gladson Cameli em 2018, é um dos principais focos das investigações. Documentos levantados pelo Ministério Público indicam que o imóvel foi financiado, em parte, pela Construtora Rio Negro, pertencente a Gledson Cameli. Segundo a investigação, a construtora pagou pelo menos R$ 647 mil em parcelas do imóvel, apontando um suposto vínculo direto entre o bem e o governador do Acre.
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Cameli, no entanto, defendeu-se afirmando que não teria condições de arcar com o custo do apartamento, e que seu pai, que dispunha de recursos financeiros, foi o responsável pela aquisição. “Eu não tinha condições de pagar. Meu pai tinha condições financeiras. E a compra do imóvel era para criar uma situação confortável para ele em São Paulo, que estava em tratamento contra o câncer”, declarou o governador.
Em resposta ao questionamento sobre a compra “na planta” do imóvel — um procedimento comum para imóveis em construção —, Cameli argumentou que a decisão foi estratégica, visando facilitar futuras trocas por outro espaço, caso fosse necessário.
Alegações de Participação de Gledson Cameli
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Durante seu depoimento, o governador enfatizou que seu irmão Gledson foi o responsável pelas negociações e trâmites legais envolvendo o apartamento, enquanto o pai deles enfrentava o tratamento médico. Gledson, que também é investigado na operação Ptolomeu, figura como uma peça central nas negociações e pagamentos relacionados ao imóvel.
“Afirmo com toda segurança, esse apartamento é de meu pai. Totalmente dele, não é meu, não tem nada a ver comigo”, declarou o governador, tentando desvincular-se dos bens em questão.
Além do imóvel, outro ponto de suspeita levantado pela investigação envolve um veículo de luxo. A Construtora Rio Negro também teria financiado 81% do valor desse carro, que, segundo o Ministério Público, estava à disposição de Cameli. Esses elementos intensificaram a pressão sobre o governador, uma vez que apontam para a possibilidade de uso de recursos familiares e empresariais para benefícios pessoais.
Defesa contesta provas e aponta inconsistências no processo
Ao fim do depoimento, que teve parte acompanhada pela imprensa, Gladson Cameli evitou dar entrevistas, mas seus advogados de defesa falaram com os jornalistas, destacando que o processo ainda se encontra em fase de diligências finais. A defesa questionou a integridade das provas e mencionou uma série de pontos que, na visão deles, comprometem a investigação.
De acordo com a defesa, alguns HDs apreendidos durante as investigações não teriam sido periciados adequadamente, e o relatório de inteligência financeira, que aponta movimentações suspeitas, conteria “informações inconsistentes” que não condizem com os fatos. Os advogados indicaram que usarão esses pontos para buscar fragilizar a base das acusações.
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