Administrador do Grupo Leo Dias estaria na organização dos ataques ao Banco Central no caso Master, diz jornal
Campanha previa publicações mensais, cláusulas de sigilo e valores definidos conforme o alcance de cada perfil.
- Foto: reprodução
Notícias do Brasil – Thiago Miranda, administrador ligado ao grupo Leo Dias aparece no rastro dos pagamentos a influenciadores contratados para desferir ataques ao Banco Central, durante a liquidação do Banco Master, alvo de investigação da Polícia Federal (PF). Foi divulgado um esquema para cooptar influenciadores digitais com a missão de lançar suspeitas sobre o BC. As informações são do jornal Estadão, que revelou mensagens, contratos e nomes envolvidos no esquema de divulgação.
Administrador do Grupo Leo Dias aparece no circuito
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De acordo com os documentos obtidos pelo Estadão, André Silva Salvador, dono da empresa UNLTD, foi quem abordou perfis de fofoca e influenciadores digitais propondo publicações que levantavam suspeitas sobre a decisão do Banco Central de liquidar o Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro — medida que agitou o mercado financeiro na virada do ano.
Nos diálogos apresentados pelo Estadão, Salvador dizia trabalhar com “gestão de crise” de um executivo do setor financeiro e pedia o “serviço” de publicações críticas ao BC. Até aí, uma negociação de marketing paralela. O que chamou a atenção foi outro nome citado: Thiago Miranda, apresentado por Salvador como “sócio do grupo Leo Dias”.
Miranda, conforme apurou o Estadão, não é só conhecido do jornalista: ele administra duas empresas registradas em nome de Leo Dias, e chegou a figurar como sócio da Leo Dias Comunicação e Jornalismo Ltda em outubro de 2024, segundo registros da Junta Comercial de São Paulo. Na prática, seu papel é de administrador das empresas do grupo — o que coloca automaticamente o guarda-chuva Leo Dias na mira da história.
Contratos, valores e multas estratosféricas
Apesar da referência a Miranda, quem assinou os acordos foi a própria UNLTD, de Salvador. O contrato, revelado pelo Estadão, previa uma cláusula de confidencialidade e citava o “Projeto DV” — iniciais de Daniel Vorcaro. Caso algum influenciador abrisse a boca, a multa previa uma mordida nada simbólica: R$ 800 mil.
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O esquema não era modesto. A colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, afirmou que os valores oferecidos poderiam chegar a R$ 2 milhões, variando conforme o tamanho das páginas e número de seguidores.
A UNLTD tem sede em Águas Claras (DF), capital social de R$ 5 mil e enquadramento de microempresa — detalhe curioso para quem conseguiu bancar contratos milionários. Salvador também é sócio de outras duas empresas registradas em Pelotas (RS), onde vive.
Respostas e recuos
O jornalista Leo Dias negou qualquer ligação comercial entre o portal que leva seu nome e a Agência Mithi, empresa de Thiago Miranda. Disse ainda que Miranda deixou o grupo em junho do ano passado. Já Miranda, procurado por O Globo, optou por silêncio.
O tiro da operação foi dado no momento exato em que explodiu a onda de críticas ao Banco Central. No apagar das luzes do ano, perfis de entretenimento e fofoca — aqueles que normalmente vivem de tretas de celebridade — começaram a ecoar vídeos e textos contra o fechamento do Banco Master. As peças citavam despacho do ministro Jhonatan de Jesus, do TCU, que questionava o encerramento da instituição financeira.
O Banco Central, no entanto, mantém sua posição: o Master não tinha condições financeiras para seguir operando e ainda surgiram indícios de ilegalidades.
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