Amiga de Lulinha orientou descarte de celulares após operação da PF, dizem investigadores
Para a PF, a orientação indica tentativa de destruição de provas.
- Foto: Redes Sociais
Notícias do Brasil – A empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, orientou o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, a descartar seus telefones celulares após o início da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal. A informação consta em mensagens obtidas pelos investigadores e reveladas nesta quinta-feira (18).
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A troca de mensagens ocorreu no fim de abril, logo após a deflagração da operação que apura um esquema bilionário de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. Em uma das conversas, Roberta é direta: “Antonio, some com esses telefones. Joga fora”. Para a PF, a orientação indica tentativa de destruição de provas.
O lobista foi preso em setembro de 2025 e é apontado como um dos principais articuladores do esquema, conhecido como “Farra do INSS”. Poucos dias após recomendar o descarte dos celulares, Roberta voltou a falar com o Careca do INSS, desta vez tentando tranquilizá-lo e fazendo referência a episódios envolvendo Lulinha no passado. Em áudio, ela cita investigações antigas e afirma que situações semelhantes já teriam ocorrido anteriormente.
Transferências milionárias e suspeita de lavagem
As investigações apontam que o Careca do INSS transferiu cerca de R$ 1,5 milhão para Roberta Luchsinger. Em uma das mensagens analisadas, o lobista afirma que parte do dinheiro seria destinada ao “filho do rapaz”, expressão que, segundo a PF, pode fazer referência a Lulinha. Apesar disso, o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é alvo da operação.
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Trechos da decisão judicial assinada pelo ministro André Mendonça indicam que pagamentos de R$ 300 mil teriam sido feitos à empresa RL Consultoria e Intermediações LTDA, ligada a Roberta, com indícios de contratos de consultoria considerados fictícios pela PF.
Medidas cautelares e núcleo político
A Procuradoria-Geral da República solicitou à Justiça medidas cautelares contra Roberta Luchsinger, incluindo a proibição de deixar o país, a entrega do passaporte e a restrição de contato com outros investigados. O órgão, no entanto, se manifestou contra o uso de tornozeleira eletrônica.
Segundo a PF, Roberta integra o chamado “núcleo político” da organização criminosa, com atuação voltada à ocultação de patrimônio, movimentação financeira e uso de empresas para lavagem de dinheiro. Os investigadores apontam que ela teria sido beneficiária de notas fiscais emitidas sem a efetiva prestação de serviços.
Lobby no Ministério da Saúde
Além das fraudes no INSS, a PF também apura atuação de Roberta e do Careca do INSS em ações de lobby no Ministério da Saúde. Registros obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram que ambos estiveram juntos na pasta representando empresas de tecnologia em saúde e, posteriormente, uma companhia ligada ao setor de cannabis medicinal.
Mensagens interceptadas indicam que Roberta demonstrava preocupação em ter seu nome associado ao do lobista, especialmente após reportagens jornalísticas começarem a apurar as relações empresariais e políticas do grupo. À época, o Ministério da Saúde afirmou que não houve desdobramentos institucionais após as reuniões.
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