Apontado como chefe do PCC, namorado de delegada ensinava técnicas de tortura para jovens da facção em Roraima
O casal é investigado por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
- Foto: Reprodução
Resumo
Investigações apontam que Jardel Neto Pereira da Cruz, namorado da delegada Layla Lima Ayub, presa em São Paulo, é um dos líderes do PCC em Roraima. Conhecido como “Dedel”, ele é acusado de recrutar jovens, ensinar práticas de tortura e ordenar crimes. O casal é investigado por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Notícias do Brasil – O nome de Jardel Neto Pereira da Cruz, de 28 anos, ganhou destaque nacional após a prisão da delegada Layla Lima Ayub, em São Paulo. Apontado por investigações como um dos chefes do Primeiro Comando da Capital em Roraima, Jardel — conhecido pelos apelidos “Dedel” e “Vrau Nelas” — é acusado de recrutar adolescentes, ensinar práticas de tortura e ordenar crimes violentos ligados à facção.
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Ligação com o PCC e atuação em Roraima
Segundo autoridades da Região Norte, Jardel Neto ocupa posição de liderança dentro do PCC em Roraima, com atuação no tráfico de armas e drogas. Ele já havia sido preso em 2021, durante uma operação da Polícia Federal, sob acusação de recrutar adolescentes para integrar a facção criminosa.
À época, as investigações também apontaram que Jardel utilizava redes sociais para exibir símbolos associados ao PCC, como o gesto com três dedos, prática comum entre integrantes da organização para sinalizar pertencimento e hierarquia.
Vídeos e denúncias de tortura
Um dos elementos mais graves citados nas investigações é a existência de vídeos publicados nas redes sociais em que Jardel aparece orientando jovens sobre práticas de tortura. Em uma das gravações, ele demonstra agressões contra as mãos com objetos de madeira, em um contexto de treinamento violento. O conteúdo circulou com a legenda “Aqui o chicote estala”, reforçando o caráter de intimidação e disciplina imposto pela facção.
➡️ Tribunal do crime: namorado da delegada do PCC tinha escola de tortura
A coluna teve acesso, com exclusividade, a um vídeo em que o criminoso ensina adolescentes a torturarem vítimas da facção criminosa
Leia na coluna de @mirelle_ap
Material cedido ao Metrópoles pic.twitter.com/SmigAKh8sb
— Metrópoles (@Metropoles) January 16, 2026
As autoridades tratam o material como prova da atuação direta de Jardel na doutrinação violenta de novos integrantes, muitos deles adolescentes.
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Homicídio envolvendo adolescente recrutado
As investigações também apontam que Jardel teria ordenado que Pedro Henrique de Moura, conhecido como “Bigode”, cometesse um homicídio e praticasse atos de extrema crueldade contra a vítima. À época, Pedro tinha apenas 16 anos. Em 2023, já aos 18, o jovem foi assassinado, em circunstâncias ainda ligadas ao ambiente criminoso em que estava inserido.
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O caso reforça, segundo os investigadores, o papel de Jardel como liderança responsável por decisões estratégicas e ordens violentas dentro da facção.
Prisão da delegada e investigação em São Paulo
A delegada Layla Lima Ayub foi presa durante uma operação do Ministério Público de São Paulo, que apura a infiltração do crime organizado em estruturas do Estado. Segundo o Ministério Público, Layla mantinha vínculo pessoal e profissional com integrantes do PCC e teria exercido irregularmente a advocacia mesmo após assumir o cargo de delegada, em dezembro de 2025.
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Layla e Jardel são investigados pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A Justiça decretou a prisão temporária do casal e autorizou mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Pará.
Aparição pública e suspeitas
Na cerimônia de posse da delegada, realizada no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, Jardel Neto apareceu ao lado de Layla. A presença chamou atenção de investigadores, já que ele era apontado, nos bastidores das forças de segurança, como um dos principais articuladores do PCC em Roraima.
Atualmente, Jardel responde às investigações em liberdade, enquanto os desdobramentos do caso seguem sob sigilo parcial. Para as autoridades, o caso expõe a complexidade da atuação do crime organizado e os riscos da sua aproximação com agentes do Estado.
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