Brasil

“Apresente provas de que ele não é fraudável”, desafia Bolsonaro o TSE sobre sistema eleitoral

O mandatário fez ataques ao sistema de votação usado no Brasil e disse que há “indícios fortíssimos em fase de aprofundamento” para mudar o sistema.

Redação AM POST

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) prometeu entregar provas concretas de fraude nas eleições, durante live nesta quinta-feira (29/7), mas não cumpriu a promessa. Ele convocou veículos de imprensa e usou a emissora pública de televisão para uma transmissão em tempo real na qual, segundo anunciou, seriam mostradas “provas” das fraudes.

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O mandatário fez ataques ao sistema de votação usado no Brasil e disse que há “indícios fortíssimos em fase de aprofundamento”. Tais indícios citados pelo presidente foram vídeos antigos que circulam na internet e trechos editados de programas de TV.

Bolsonaro voltou a atacar o Tribunal Superior Eleitora (TSE), em especial o atual presidente da corte, o ministro Luís Roberto Barroso, defensor do sistema eletrônico de votação.

“Estamos tentando oferecer mais uma maneira de dar transparência às eleições e o senhor é contra, sr. Barroso? Onde quer chegar esse homem que preside o TSE?”, questionou.

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Bolsonaro afirmou que “está no meio do povo”, e que “ninguém é dono da verdade”. Segundo ele, os chefes de poderes deveriam ser mais humildes e reconhecerem a vontade popular. “Eu só posso saber o que o povo sente se estiver no meio dele. O que está em jogo é a liberdade, e as eleições estão ligadas à liberdade. Eu defendo a democracia acima de tudo”, salientou.

O presidente e um “especialista” – identificado apenas como “Eduardo, coronel do Exército e analista de inteligência” – falaram por mais de duas horas.

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“Esses vídeos, todos eles estão disponíveis na internet. E por que nós fizemos questão de buscar nessa fonte? Porque é o povo. Essas pessoas não foram pagas para fazer isso, elas demonstraram interesse em ter uma democracia melhor, mais avançada, mais justa e transparente”, declarou Eduardo.

O material apresentado por Eduardo incluiu, por exemplo, vídeo antigo em que um programador dizia simular o código-fonte de uma urna eletrônica para, em seguida, mostrar supostas formas de fraudar o sistema.

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“Não temos provas, vou deixar bem claro, mas indícios que eleições para senadores e deputados podem ocorrer a mesma coisa. Por que não?”, apontou o presidente em um terceiro momento.

Vitória no primeiro turno
Uma dessas hipóteses centrou nas eleições de 2018, afirmando que, por Jair Bolsonaro ter saído na frente mesmo com apuração adiantada no Nordeste, ele não poderia ter caído em proporção de votos ao longo da apuração. Apesar de ter perdido no Nordeste como um todo, o presidente teve redutos de votos em determinadas regiões dos estados, sobretudo nas capitais, não sendo uma derrota uniforme.

Outra tese trata das eleições municipais de 2020 na cidade de São Paulo. O presidente questiona por que os oito principais candidatos mantiveram uma taxa percentual semelhante entre duas parciais, uma aos 0,39% dos votos apurados e outra após os 32% dos votos computados. Na primeira parcial, apenas 24.220 votos haviam sido computados, de 6,3 milhões de eleitores da capital paulista. O resultado foi reconhecido pelos candidatos participantes da eleição, que sagrou Bruno Covas (PSDB) no segundo turno, após derrotar Guilherme Boulos (PSOL).

Os vídeos exibidos circularam após o pleito de 2018, em que eleitores alegavam ter tido os votos fraudados durante a votação. Checagens oficiais identificaram as imagens como montagens, bem como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirma que a Polícia Federal investigou denúncias de irregularidades na cidade de Caxias (MA) e concluiu que não houve fraude, em sentido oposto às imagens de 13 anos atrás exibidas por Eduardo.

Dilma X Aécio
Bolsonaro centrou as falas das últimas semanas no pleito de 2014, quando, diz, Aécio Neves (PSDB) teria derrotado Dilma Rousseff (PT). Este pleito foi citado de forma lateral, quando Bolsonaro repetiu que a apuração indica uma totalização viciada, com alternância entre os candidatos.

Considerando a “variação de incremento” como a taxa de crescimento por minuto, a alternância entre Dilma e Aécio ocorre não mais do que quatro vezes, em dois momentos: entre 22h28 e 22h34 e entre 22h44 e 22h57. Nesses horários, a então presidente já havia sido matematicamente eleita.

O TSE e o STF ainda não se pronunciaram sobre a live do presidente.

No entanto, nas redes sociais, TSE fez posts em que desmente alguns dos “indícios” citados na live.

*Com informações de O Globo e CNN