Assessores de Marco Rubio vieram ao Brasil para investigar PCC e CV antes de classificação como terroristas
Promotor Lincoln Gakiya afirma que enviados dos EUA ouviram autoridades brasileiras e coletaram informações sobre atuação das facções.
- Reprodução
Resumo
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya revelou que representantes do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, estiveram no Brasil para ouvir autoridades e coletar informações sobre o PCC e o Comando Vermelho. As reuniões ajudaram a embasar a decisão norte-americana de classificar as facções como organizações terroristas.
Notícias do Brasil – A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais foi precedida por uma série de consultas realizadas em território brasileiro. A informação foi confirmada pelo promotor de Justiça Lincoln Gakiya, uma das principais autoridades do país no combate ao crime organizado.
Segundo Gakiya, assessores do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, estiveram no Brasil ao longo do ano passado para ouvir integrantes do sistema de Justiça e da área de segurança pública. O objetivo era reunir dados sobre a estrutura, o alcance e a atuação das duas maiores facções criminosas do país antes da tomada de decisão pelo governo dos Estados Unidos.
O promotor, que atua no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e acompanha há anos as atividades do PCC, afirmou que participou de reuniões com representantes enviados por Rubio para discutir a expansão da organização criminosa dentro e fora do Brasil.
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Autoridades brasileiras foram consultadas
De acordo com Gakiya, a visita dos assessores norte-americanos incluiu encontros em São Paulo e Brasília. Além de integrantes do Ministério Público, representantes da Polícia Federal e do Ministério da Justiça também foram procurados para prestar informações.
“Eles vieram aqui ouvir as autoridades brasileiras. No caso de São Paulo sobre o PCC, eu fui uma das autoridades e fui ouvido por assessores do secretário Marco Rubio em duas oportunidades no ano passado”, declarou.
O promotor acrescentou que os enviados dos Estados Unidos buscaram informações diretamente nas instituições brasileiras para compreender a dimensão das atividades criminosas desenvolvidas pelas facções.
“Estiveram em Brasília ouvindo autoridades do governo federal ligadas à Polícia Federal e ao Ministério da Justiça. Eles vieram colher informações in loco para tomarem as decisões que seriam tomadas nos EUA”, afirmou.
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O promotor de Justiça Lincoln Gakiya afirmou que assessores do secretário de Estado americano, Marco Rubio, vieram ao Brasil ouvir autoridades sobre PCC e CV antes da decisão de classificar as facções como terroristas. Segundo Gakiya, os representantes dos EUA disseram que a… pic.twitter.com/DuMvOkiH8D
— GloboNews (@GloboNews) May 29, 2026
Facções têm características semelhantes ao terrorismo, diz promotor
Durante as reuniões, Gakiya relatou que apresentou aos representantes norte-americanos sua avaliação sobre o perfil das organizações criminosas.
Segundo ele, PCC e Comando Vermelho adotam métodos que podem se assemelhar a práticas terroristas em determinadas situações, especialmente pelo uso da violência e da intimidação. No entanto, destacou uma diferença fundamental em relação aos grupos tradicionalmente classificados como terroristas.
“Eu falei que essas organizações criminosas até têm ações que se assemelham ao terrorismo, mas não em objetivo político nem ideológico. O objetivo é meramente econômico”, explicou.
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A observação reforça um dos principais debates jurídicos envolvendo a classificação das facções, já que a definição tradicional de terrorismo costuma estar associada a motivações políticas, ideológicas ou religiosas.
Decisão seria tomada independentemente da posição do Brasil
Ainda segundo o promotor, os representantes ligados a Marco Rubio deixaram claro durante os encontros que a decisão dos Estados Unidos não dependeria do posicionamento oficial do governo brasileiro.
Gakiya afirmou ter sido informado de que a medida seria adotada com base na avaliação feita pelas autoridades norte-americanas, independentemente de eventual apoio ou resistência por parte do Palácio do Planalto.
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A informação surge em meio às manifestações de preocupação do governo brasileiro após a oficialização da classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais.
Medida preocupa governo federal
Nos bastidores de Brasília, a decisão dos Estados Unidos tem sido acompanhada com atenção devido aos possíveis impactos diplomáticos, jurídicos e financeiros.
A designação das facções como organizações terroristas internacionais pode ampliar mecanismos de cooperação internacional e permitir sanções mais rigorosas contra pessoas, empresas ou grupos ligados às atividades criminosas investigadas.
Além disso, a medida fortalece instrumentos utilizados pelo sistema financeiro internacional para rastrear movimentações suspeitas e combater estruturas associadas ao narcotráfico e à lavagem de dinheiro.
O tema também ganhou repercussão política após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que criticou a classificação adotada pelos Estados Unidos e defendeu que o combate ao PCC e ao Comando Vermelho deve permanecer sob responsabilidade das instituições brasileiras.
Enquanto isso, especialistas avaliam os possíveis efeitos da decisão sobre as estratégias de enfrentamento ao crime organizado na América Latina e sobre a cooperação entre Brasil e Estados Unidos na área de segurança pública.
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