Assista: Pastor gera revolta ao associar autismo a ‘espírito maligno’ e se retrata após críticas
Com a repercussão negativa, o pastor usou as redes sociais para emitir uma nota de retração.
- Assista: Pastor gera revolta ao associar autismo a ‘espírito maligno’ e se retrata após críticas-Foto: reprodução
O pastor Pio de Carvalho, líder da igreja Comunhão Cristã Abba em Curitiba, Paraná, gerou forte reação nas redes sociais ao fazer uma declaração controversa sobre o transtorno do espectro autista (TEA). Durante um culto no dia 13 de outubro transmitido ao vivo pela internet, ele associou a condição ao que chamou de “espírito maligno”, provocando indignação entre profissionais da saúde, famílias e internautas.
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A declaração surgiu enquanto o pastor relatava uma conversa que teve com uma educadora especializada em crianças com necessidades especiais. De acordo com Pio, a profissional mencionou que tinha 29 alunos em sua turma, alguns com necessidades especiais, e sugeriu que a igreja criasse uma classe específica para acolhê-los. A resposta do pastor, entretanto, surpreendeu pela forma como ele sugeriu abordar o assunto.
“Ela olhou pra mim e disse: ‘eu tenho 29 alunos na minha turma, 29 crianças. Inclusive, pastor, sugiro que a igreja tenha uma classe para essas crianças’. Eu, ouvindo ela, disse assim: ‘posso dar uma sugestão? Na medida em que essas crianças forem entrando na sua salinha, passe um óleo na cabeça delas e diga: eu te abençoo, em nome de Jesus. Espírito maligno, sai dele agora em nome de Jesus’”, declarou o pastor durante o culto.
As falas rapidamente viralizaram nas redes sociais, atraindo críticas de diversos setores da sociedade. Especialistas em saúde mental, educadores e defensores dos direitos das pessoas com autismo classificaram a fala como preconceituosa e desinformada, apontando que esse tipo de discurso pode perpetuar estigmas e preconceitos em torno do TEA.
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Diante da forte repercussão e das críticas crescentes, Pio de Carvalho divulgou uma nota pública, pedindo desculpas pelo ocorrido. Na mensagem, ele tentou esclarecer suas intenções e ofereceu uma retratação.
Em sua nota, o pastor admitiu não ter conhecimento médico ou psicológico para discutir o transtorno do espectro autista de forma técnica. Ele afirmou que seu comentário não tinha a intenção de desrespeitar ou minimizar as dificuldades enfrentadas por famílias e crianças com TEA. Segundo ele, sua fala se referia a um entendimento espiritual das dificuldades enfrentadas por algumas pessoas.
“Meu objetivo na referida palestra foi, unicamente, destacar que muitas das nossas crianças e famílias estão sofrendo intensamente sob opressões que, em minha perspectiva espiritual, são de natureza maligna”, explicou Pio de Carvalho no comunicado. O pastor também reforçou que sugeriu orações como forma de apoio espiritual, mas que isso deveria ocorrer em paralelo ao tratamento clínico e acompanhamento de profissionais especializados.
Ele ainda se desculpou pelo que chamou de mal-entendido, dizendo que sua intenção era apenas oferecer conforto espiritual às famílias. “Acredito que essa prática pode contribuir para resistir ao mal e aliviar a dor de muitas famílias e crianças”, destacou o pastor.
A fala de Pio de Carvalho é um exemplo de como a desinformação pode afetar negativamente a vida de pessoas com necessidades especiais, reforçando a importância de um discurso fundamentado em dados científicos e na empatia. Embora o pastor tenha se retratado, o episódio acendeu o alerta para o cuidado necessário ao abordar questões de saúde, especialmente em um ambiente de grande influência como o religioso.
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