Áudio vazado revela suposto esquema de corrupção entre empresários, promotores e desembargadores do TJ-AL; confira
empresário fez desabafo sobre suposta partilha de valores em processo bilionário que se arrasta desde 2014
- Foto: reprodução
Foram vazados áudios de uma reunião gravada sem o consentimento dos participantes, empresários e políticos discutem sobre o suposto pagamento de valores elevados a promotores e desembargadores do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL). A conversa, que ocorreu na Câmara Municipal de Coruripe, detalha a partilha dos valores provenientes da venda da safra de cana-de-açúcar de uma agroindústria em falência.
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Os áudios, datados de 21 de outubro de 2022, foram anexados ao processo de falência da Laginha Agroindustrial, um processo que está em andamento no TJAL desde 2014. A gravação foi realizada por um dos presentes, sem o conhecimento dos demais, e revela uma série de diálogos comprometedores entre figuras políticas e empresariais influentes.
Em uma das gravações, José Raimundo de Albuquerque Tavares, empresário e ex-prefeito de Junqueiro (AL), conversa com Joaquim Beltrão, ex-deputado federal e ex-prefeito de Coruripe. Eles discutem sobre o grande número de pessoas envolvidas no processo de falência da Laginha e o alto custo associado. A empresa, avaliada em R$ 3 bilhões, possui uma dívida fiscal e trabalhista de aproximadamente R$ 4 bilhões. A massa falida da indústria, que era de propriedade do falecido empresário e ex-deputado federal João Lyra, inclui três usinas de açúcar e etanol.
“A gente consegue algumas coisas sem querer, um negócio a favor. Aí, sobre isso, todo mundo ficou ‘peixe’, ninguém foi atrás do promotor, ninguém foi atrás de nada, ficou ali. Eles têm o poder da caneta. Se eles quiser [sic] moer essa cana todinha, aí eles mói. Só que tem um problema: fica com medo de a gente tocar fogo em tudo, nem a gente nem eles”, disse Joaquim Beltrão em um dos áudios.
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A conversa continua com Raimundo Tavares expressando sua insatisfação com a quantidade de pessoas “comendo” dinheiro do processo. “É como o Joaquim e o Alfredo disseram aí, agora há pouco, que é caro demais, agora é porque também é muita gente comendo”, afirma Tavares. “É… não é porque… é gente comendo, também, os caras querem muito”, responde Beltrão.
Raimundo acrescenta: “É caro por isso. Muita gente comendo demais. É o promotor, é o administrador, é o povo de São Paulo, aí é Sandro, aí é desembargador, é filho de desembargador. Quando soma, é um valor da p*rra. É por isso que fica caro”. Apesar das declarações, os nomes dos desembargadores e promotores que seriam beneficiados não foram mencionados diretamente.
A revelação desses áudios gerou um grande alvoroço no estado de Alagoas. Em resposta, a Procuradoria-Geral de Justiça do Estado de Alagoas nomeou dois promotores para investigar o conteúdo das gravações. A apuração visa esclarecer os detalhes e a veracidade das alegações feitas nas conversas gravadas.
O processo de falência da Laginha tem sido marcado por controvérsias e atrasos desde sua instauração em 2014. A empresa, que já foi um dos maiores conglomerados do setor sucroalcooleiro do Brasil, enfrenta dificuldades financeiras que culminaram na sua falência. As discussões sobre a venda da safra de cana-de-açúcar da Laginha e a distribuição dos valores arrecadados têm sido pontos de tensão entre os credores e os administradores da massa falida.
*Com informações do Metrópoles
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