Brasil

Banco Central acha mil reais na conta da filha de Temer

Juiz federal Marcelo Bretas havia mandado bloquear R$ 3,2 milhões de Maristela; Lava Jato suspeita que parte da propina sobre obras de Angra 3 foi lavada na reforma da casa da filha do ex-presidente.


O Banco Central encontrou R$ 1.217,15 na conta de Maristela Temer, filha do ex-presidente Michel Temer (MDB). O emedebista teve R$ 8,2 milhões confiscados por ordem do juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal do Rio, que deflagrou a Operação Descontaminação, desdobramento da Lava Jato.

O magistrado havia ordenado o sequestro de R$ 3,208 milhões de Maristela e R$ 62 milhões do ex-presidente.

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Temer é suspeito de liderar um esquema de corrupção há mais de 40 anos e de receber R$ 1 milhão em propinas das obras da usina de Angra 3.

A Operação Lava Jato suspeita que parte do dinheiro foi lavado na reforma da residência de Maristela.

Temer foi preso na quinta, 21, quando saía de sua casa em São Paulo. Nesta segunda, 25, o desembargador Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2.ª Região (TRF-2), mandou soltar o ex-presidente e todos os outros presos da Descontaminação.

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A investigação contra Temer e seus aliados é decorrente da Operação Radioatividade, que mirou um esquema de cartel, corrupção ativa e passiva, lavagem de capitais e fraudes à licitação na construção da usina nuclear de Angra 3.

A Descontaminação apura supostos pagamentos ilícitos feitos por determinação do empreiteiro José Antunes Sobrinho, ligado à Engevix, para ‘o grupo criminoso liderado por Michel Temer, bem como de possíveis desvios de recursos da Eletronuclear para empresas indicadas pelo referido grupo’.

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Segundo o Ministério Público Federal, a empresa Argeplan, do coronel reformado da Polícia Militar de São Paulo João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, ‘participou do consórcio da AF Consult LTD, vencedor da licitação para a obra da Usina Nuclear de Angra 3, apenas para repassar valores a Michel Temer’.

A Procuradoria aponta que a AF Consult do Brasil e a Argeplan não tinham pessoal e expertise suficientes para a realização dos serviços, e, por isso, houve a subcontratação da Engevix.

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No curso do contrato, destaca a investigação, coronel Lima solicitou ao sócio da empresa Engevix o pagamento de propina, em benefício de Michel Temer.

A Lava Jato relata que a propina foi paga no final de 2014 com transferências totalizando R$ 1,91 milhão da empresa da Alumi Publicidades para a empresa PDA Projeto e Direção Arquitetônica, controlada pelo coronel Lima.

Na decisão que mandou bloquear valores dos investigados da Descontaminação, Marcelo Bretas relatou que, segundo a Eletronuclear, ‘o valor original do contrato da usina nuclear de Angra 3 era de R$ 162.214.551,43 (março de 2011)’. Foram pagos a Engevix R$ 30.777.701,49, à AF Consult Brasil, R$ 10.859.075,15, e à AF Consult, R$ 13.092.418,24.

“Presentes os pressupostos e as circunstâncias autorizadoras, determino o sequestro/arresto dos bens móveis e imóveis (medidas assecuratórias)”, ordenou Bretas.

O magistrado mandou confiscar R$ 62.595.537,32 de Temer, do escritório Temer Advogados Associados e da empresa Tabapuã Investimentos e Participações – controlada pelo ex-presidente.

Na conta do escritório, o BC não encontrou valores. Já na conta da Tabapuã foram bloqueados R$ 491.889,14.

Marcelo Bretas ordenou um total de 40 confiscos de valores que variam entre R$ 2.182.951,00 e R$ 62.595.537,32.

O juiz autorizou ‘a Cooperação Internacional para o bloqueio dos valores no exterior, no montante de até R$ 23.901.101,30, mantido em nome de Ana Cristina da Silva Toniolo’, filha do ex-presidente da Eletronuclear, o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva.

Fonte: Estadão