Bolsonaro reage após governador petista sugerir jogar bolsonaristas na “vala” e critica silêncio do STF sobre o caso
Ex-presidente reforçou a narrativa de que seus aliados são perseguidos.
- (Foto: Agência Brasil)
Notícias do Brasil – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se pronunciou nesta segunda-feira (5) em resposta a declarações do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), que sugeriu “jogar bolsonaristas na vala” durante um evento oficial. A fala, ocorrida na última sexta-feira (2) durante a entrega de uma escola pública em América Dourada (BA), gerou forte repercussão nas redes sociais e mobilizou a oposição, que acusa o petista de incitar violência política.
“Fazia no pacote. Bota uma ‘enchedeira’. Sabe o que é uma ‘enchedeira’? Uma retroescavadeira, bota e leva tudo pra vala”, disse o governador, ao criticar apoiadores do ex-presidente e responsabilizá-los pelas consequências do governo Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19.
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Ao defender que deveriam jogar Bolsonaro e seus apoiadores na vala, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, incita o homicídio de opositores políticos. A esquerda tem salvo conduto para proferir discurso de ódio. Fosse conservador, a PF acordaria o sujeito com o pé na porta. pic.twitter.com/N9s4Av8JIt
— Luiz Cláudio (@luizcl_souza) May 5, 2025
Nas redes sociais, Bolsonaro afirmou que a fala de Jerônimo foi “carregada de ódio” e lamentou a ausência de reações institucionais por parte do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades. Segundo o ex-presidente, se a declaração tivesse vindo de um bolsonarista, a resposta judicial teria sido imediata.
“Um discurso carregado de ódio, que em qualquer cenário civilizado deveria gerar repúdio imediato e ações institucionais firmes. Mas nada aconteceu”, escreveu Bolsonaro. “Não houve abertura de inquérito, nem busca e apreensão, tampouco convocação da Polícia Federal para apurar incitação à violência. Nenhuma nota de repúdio do STF, nenhuma indignação de ministros que se dizem interessados no assunto, nenhuma capa de jornal tratando o caso como ‘ameaça à democracia’.”
Acusações de tratamento desigual
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Bolsonaro reforçou a narrativa de que seus aliados são perseguidos e tratados com rigor excessivo pelo Judiciário, enquanto declarações graves de figuras da esquerda não são alvos de investigação. “Agora imagine se um apoiador de Bolsonaro dissesse algo remotamente parecido, ou usasse a palavra ‘vala’ em qualquer contexto. Seria manchete, prisão, processo por ‘discurso golpista’ e ‘incitação ao ódio’”, afirmou.
Segundo o ex-presidente, o tratamento desigual expõe o que ele chama de “sistema de repressão seletiva”, em que as instituições só reagem quando o alvo é a oposição. “O padrão é claro: só há crime quando convém ao sistema, só há repressão quando o alvo é a oposição”, declarou.
A declaração do governador Jerônimo Rodrigues também foi criticada por parlamentares da oposição. Deputados federais e senadores do PL e partidos aliados acusaram o governador de atentar contra a democracia e pediram providências ao Ministério Público e ao STF.
Até o momento, o STF e outras instituições do sistema de Justiça não se manifestaram sobre o caso. Também não houve declarações públicas da Procuradoria-Geral da República (PGR) ou do Ministério da Justiça. O silêncio tem sido interpretado por críticos de Jerônimo como sinal de conivência ou omissão seletiva.
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