Brasil inaugura maior biofábrica do mundo de mosquitos no combate à dengue
Tecnologia com mosquitos portadores da bactéria Wolbachia promete reduzir casos de dengue, zika e chikungunya em até 70%, com distribuição em 18 estados a partir de agosto

Brasil inaugura maior biofábrica do mundo de mosquitos no combate à dengue – Foto: Freepik
Brasil – O Brasil acaba de dar um passo histórico no combate às arboviroses. Foi inaugurada neste sábado (19), em Curitiba (PR), a maior biofábrica do mundo dedicada à produção de mosquitos Aedes aegypti portadores da bactéria Wolbachia, uma aliada no enfrentamento da dengue, zika e chikungunya. A instalação, considerada um marco mundial, poderá produzir até 100 milhões de ovos por semana e distribuir a tecnologia para 18 estados, com potencial de proteger até 140 milhões de brasileiros.
Como funciona a tecnologia dos mosquitos com Wolbachia?
De acordo com o Portal Jornal Nacional, ao contrário do que muitos podem imaginar, os mosquitos produzidos na fábrica não causam doenças. Pelo contrário: eles são programados para impedir que os vírus da dengue, zika e chikungunya se desenvolvam em seus organismos. Isso acontece graças à bactéria Wolbachia, naturalmente presente em muitos insetos, mas que não existia no Aedes aegypti até ser introduzida pela ciência.
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“A Wolbachia bloqueia a replicação do vírus no mosquito. Quando ele pica alguém, não transmite a doença”, explica Luciano Moreira, diretor-presidente da Wolbito do Brasil, organização responsável pela operação da fábrica. A técnica é segura, não envolve modificações genéticas nem uso de pesticidas, e já teve eficácia comprovada em países como Austrália, Indonésia e Colômbia.
Primeiras cidades a receber os mosquitos já estão definidas
A partir de agosto, seis cidades brasileiras receberão os primeiros lotes de mosquitos: Brasília (DF), Valparaíso de Goiás (GO), Luziânia (GO), Joinville (SC), Balneário Camboriú (SC) e Blumenau (SC). A logística da liberação também é inovadora: os agentes de saúde circularão com veículos em baixa velocidade pelas áreas-alvo, liberando os mosquitos por meio de potes distribuídos pelas janelas.
As cidades foram escolhidas com base em critérios técnicos, como a incidência de casos das doenças. O Ministério da Saúde ficará responsável por coordenar as liberações em conjunto com as secretarias municipais.
Resultados já comprovados no Brasil
No Brasil, a aplicação da tecnologia não é exatamente nova. Um projeto-piloto implantado em Niterói (RJ) há mais de dez anos, sob coordenação da Fiocruz, mostrou resultados expressivos. “Observamos uma redução de até 70% nos casos de dengue”, afirma Antônio Brandão, gerente de produção da fábrica.
Além da queda nos números da dengue, os impactos também foram positivos no controle de zika e chikungunya, doenças transmitidas pelo mesmo vetor.
Segurança, aprovação da Anvisa e recomendação da OMS
A biofábrica e todo o projeto têm aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e são recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que reconhece a eficácia da Wolbachia como estratégia complementar ao combate aos mosquitos transmissores.
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“A tecnologia é segura, ecológica e inovadora. Não envolve nenhuma alteração genética nem risco à saúde humana”, destaca Moreira.
A responsabilidade continua: a população ainda é peça-chave
Apesar do avanço científico, os especialistas reforçam: os mosquitos com Wolbachia não são uma solução mágica. O combate ao mosquito precisa continuar em cada casa, quintal e comunidade.
“O brasileiro precisa continuar fazendo sua parte. É só tirar 5 minutos por semana para verificar se há água parada. Esse hábito continua sendo essencial”, lembra Brandão.
Inovação brasileira pode virar referência mundial
Com a biofábrica de Curitiba, o Brasil assume protagonismo global no enfrentamento de arboviroses. A produção em escala dos mosquitos com Wolbachia representa uma das estratégias mais promissoras para conter surtos de doenças que, todos os anos, sobrecarregam o sistema de saúde e colocam milhões em risco.
Mas, como lembra o próprio ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a tecnologia só será plenamente eficaz se houver uma ação conjunta entre poder público, ciência e população.
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Por: Mayara Leite – Estudante de Jornalismo.
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