Após meses enfrentando os impactos do fenômeno climático El Niño, o Brasil agora direciona sua atenção para as condições que a La Niña pode trazer nos próximos meses. Meteorologistas e cientistas estão monitorando de perto as mudanças nas condições climáticas que o país deve enfrentar no próximo semestre.
O El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, foi responsável por secas extremas no Norte e Nordeste e enchentes na Região Sul. Agora, a La Niña, que envolve o resfriamento dessas águas, sinaliza um aumento nas chuvas nas regiões Norte e Nordeste, enquanto a Região Sul enfrentará condições mais secas.
A professora e pesquisadora da Faculdade de Oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Luciana Figueiredo Prado, explica que a La Niña é um fenômeno natural de resfriamento anormal das águas do Oceano Pacífico tropical central e leste, enquanto o El Niño representa a fase oposta, com aquecimento além do normal dessas águas.
Andrea Ramos, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), prevê que a La Niña também influenciará em temperaturas mais baixas na Região Centro-Oeste, lembrando que durante esse fenômeno em 2022, o Distrito Federal registrou o dia mais frio da história.
A La Niña deve começar a se manifestar mais intensamente a partir de maio e junho, atingindo seu ápice em dezembro. O ano de 2023 foi marcado por eventos climáticos extremos no Brasil, incluindo seca no Amazonas, ciclones extratropicais no Rio Grande do Sul e ondas de calor no Centro-Oeste.
Luciana Prado destaca a importância do monitoramento mensal da La Niña em 2024 pelos governos para evitar novas tragédias. Ela ressalta que o El Niño recente foi considerado muito forte, intensificando chuvas no Sul e temperaturas quentes no país, enquanto a La Niña pode trazer um cenário oposto, com diminuição das chuvas no Sul e aumento no Norte e Nordeste.