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Brasileiros bancam Judiciário de luxo: supersalários e “penduricalhos” consomem bilhões dos cofres públicos

Estudo aponta que Brasil lidera disparado ranking de gastos com remunerações acima do teto constitucional.

Por Natan AMPOST

02/06/2026 às 12:00 - Atualizado em 03/06/2026 às 14:23

Resumo


Levantamento revela que o Brasil gastou R$ 20 bilhões com supersalários no serviço público em apenas 12 meses. O valor, impulsionado principalmente por pagamentos acima do teto no Judiciário, coloca o país na liderança mundial desse tipo de despesa e reacende o debate sobre privilégios, penduricalhos e o uso de recursos públicos.

Notícias do Brasil – O Brasil desembolsou cerca de R$ 20 bilhões com supersalários no serviço público entre agosto de 2024 e julho de 2025, segundo um estudo inédito elaborado pelo pesquisador Sergio Guedes-Reis, da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD). O levantamento, encomendado pelas organizações Movimento Pessoas à Frente e República.org, mostra que o país lidera com ampla folga um ranking internacional de gastos com remunerações acima dos limites legais, superando em mais de 20 vezes o segundo colocado, a Argentina.

Os números reacendem o debate sobre privilégios no setor público, especialmente no Judiciário, onde mecanismos legais e verbas classificadas como indenizatórias permitem que servidores recebam valores muito acima do teto constitucional de R$ 46,3 mil mensais.

O montante gasto em apenas um ano chama atenção pelo impacto que poderia ter em outras áreas consideradas prioritárias. De acordo com estimativas citadas no estudo, os R$ 20 bilhões seriam suficientes para construir e manter seis grandes hospitais de alta complexidade por mais de uma década.

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Brasil lidera ranking internacional de supersalários

A pesquisa comparou dados de países das Américas e da Europa e concluiu que nenhuma outra nação analisada apresenta um volume tão elevado de gastos com remunerações acima dos limites constitucionais ou legais.

O resultado coloca o Brasil em uma posição isolada quando o assunto é custo dos supersalários no setor público. Enquanto outras nações possuem mecanismos rígidos para limitar vencimentos de agentes públicos, o modelo brasileiro permite uma série de exceções que acabam elevando significativamente a remuneração final de determinadas categorias.

O fenômeno é frequentemente associado aos chamados “penduricalhos“, benefícios que incluem indenizações, direitos pessoais, verbas retroativas e outros pagamentos que ficam fora da incidência do teto constitucional.

Justiça do Trabalho pagou R$ 1 bilhão acima do teto

Um dos dados que mais chamam atenção no levantamento envolve magistrados da Justiça do Trabalho.

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Somente juízes e desembargadores ativos e aposentados receberam aproximadamente R$ 1 bilhão em valores que ultrapassaram o teto constitucional ao longo de 2025.

Segundo os dados analisados no Portal da Transparência, os pagamentos extraordinários foram impulsionados principalmente por verbas indenizatórias e direitos eventuais, mecanismos que permitem aumentar substancialmente a remuneração sem que os valores sejam enquadrados como salário tradicional.

Em alguns casos, os ganhos atingiram cifras milionárias. Há registros de magistrados que receberam até R$ 1,7 milhão em apenas um único mês, valor muito superior ao teto previsto pela Constituição.

Desembargador recebeu mais de R$ 2 milhões em extras

Outro caso destacado envolve um desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), apontado como o maior beneficiário de pagamentos adicionais no país em 2025. Os chamados direitos pessoais, indenizações e direitos eventuais renderam ao magistrado cerca de R$ 2,2 milhões brutos ao longo do ano.

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A média mensal dos pagamentos extras alcançou aproximadamente R$ 186,4 mil.

O dado chama atenção porque o salário-base do desembargador é de R$ 41,78 mil por mês. Na prática, a remuneração adicional superou amplamente os vencimentos regulares, evidenciando o peso dos benefícios e verbas acessórias na composição da renda final.

Tribunais gastaram R$ 4 bilhões com pagamentos retroativos

O estudo também identificou que os tribunais brasileiros desembolsaram aproximadamente R$ 4 bilhões em pagamentos retroativos.

Desse total, cerca de R$ 3,6 bilhões foram concentrados nos Tribunais de Justiça estaduais, responsáveis por 93% de todo o montante destinado a esse tipo de despesa.

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Os valores referem-se a diferenças salariais, revisões remuneratórias e outros direitos reconhecidos posteriormente e pagos de forma acumulada.

Especialistas que acompanham o tema apontam que a falta de transparência e a existência de múltiplas classificações para esses pagamentos dificultam o controle social sobre a utilização dos recursos públicos.

Debate sobre teto constitucional volta ao centro das discussões

Os números reforçam um debate antigo no país: a efetividade do teto constitucional do funcionalismo público.

Embora a Constituição estabeleça um limite remuneratório, diferentes interpretações administrativas e decisões judiciais permitiram a criação de mecanismos que, na prática, viabilizam pagamentos muito superiores ao valor previsto na legislação.

Críticos do modelo afirmam que a proliferação de auxílios, indenizações e verbas excepcionais esvazia a finalidade do teto constitucional e amplia a percepção de desigualdade entre servidores públicos e a população que financia essas despesas por meio dos impostos.

Com gastos que alcançam dezenas de bilhões de reais por ano, a discussão sobre supersalários, penduricalhos e controle dos recursos públicos volta a ganhar força no cenário nacional, especialmente em um momento em que áreas como saúde, educação e infraestrutura enfrentam restrições orçamentárias e demanda crescente por investimentos.

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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