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Cacau Show desativa loja de franqueada que acusou rede de práticas de “seita”

De acordo com reportagens, o ambiente dentro da Cacau Show é descrito por vários franqueados como o de uma “seita”.

Por Hugo Guimarães

04/06/2025 às 07:15 - Atualizado em 04/06/2025 às 12:08

  • A Cacau Show fechou a loja de uma franqueada que liderou denúncias contra a marca, após relatos de perseguição, cobranças abusivas e práticas questionáveis na empresa.
  • Diversos franqueados relataram cobranças inesperadas, contratos alterados sem aviso, pressão para comprar produtos sem demanda e dívidas garantidas por bens pessoais, resultando em prejuízos financeiros e problemas de saúde mental.
  • Ex-franqueados descrevem o ambiente na empresa como de “seita”, com represálias a quem questiona, práticas intimidadoras e relatos de decisões judiciais reconhecendo abusos; a Cacau Show nega as acusações e afirma prezar pelo respeito e diálogo.

Este resumo foi gerado automaticamente por inteligência artificial.

Cacau Show reage a denúncias e fecha loja de franqueada que expôs abusos

Foto: Reprodução/Metrópoles

Notícias do Brasil – A Cacau Show, maior rede de franquias do Brasil, fechou a loja da franqueada que liderou denúncias contra a marca. O encerramento ocorreu poucos dias após as reportagens revelarem relatos de perseguição, cobranças abusivas e práticas questionáveis na empresa — que tenta desqualificar as acusações como “boatos”.

Náira recebeu a notícia do fechamento por vizinhos, que informaram que representantes da rede foram até o local e colocaram placas de “fechado” na loja. Isso aconteceu no dia 2 de junho, enquanto o ponto estava em processo avançado de transferência para outro franqueado. Apesar das negociações, intermediadas pela própria Cacau Show, a empresa rescindiu o contrato de forma abrupta.

“Entraram lá e colocaram as placas de ‘fechado’. Eu soube pelos vizinhos”, contou. A justificativa da empresa na notificação foi clara: “considerando que a tentativa de venda da loja restou frustrada e considerando também que não temos mais interesse na continuidade da relação estabelecida no contrato de franquia, nos termos da cláusula 6.4, no prazo de 30 (trinta) dias contados desta data, o contrato estará rescindido”.

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“Agora eu vou ter que reassumir o imóvel e ver o que eu posso fazer para tentar diminuir, um pouco, o prejuízo – que já é enorme”, lamentou Náira.

Ela foi a primeira a romper a chamada “cortina de medo” entre os franqueados. Inicialmente, criou o perfil A Doce Amargura, usando um pseudônimo. Depois das primeiras matérias do Metrópoles, revelou sua identidade e passou a relatar, abertamente, tudo que viveu como franqueada da Cacau Show. Com a repercussão, Náira assumiu a presidência da Associação de Franqueados, tornando-se alvo de ataques e ainda mais perseguições nas redes sociais.

“Rastro de pessoas quebradas”

O Metrópoles ouviu dezenas de relatos semelhantes. As histórias começam com o encantamento da proposta da Cacau Show, vendida como a realização de um sonho: empreender com uma marca forte, consolidada e de grande apelo emocional.

A realidade, porém, se impõe logo após a assinatura dos contratos. Cobranças de taxas que não foram previamente esclarecidas, aditamentos contratuais inesperados, mudanças repentinas no preço dos produtos e nas regras do negócio sem aviso prévio. Para manter as lojas funcionando, os franqueados precisam comprar mais produtos — muitas vezes, sem demanda —, acumulando dívidas impagáveis garantidas por bens pessoais como imóveis e carros.

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“É um rastro de gente doente, gente que perdeu a casa, que não consegue dormir, gente com problemas psicológicos”, relata a ex-franqueada Irene Angelis, que chegou a ter seis lojas e perdeu R$ 3 milhões. Ela afirma ter desenvolvido síndrome do pânico e insuficiência cardíaca. “A sensação que eu tenho é que, quanto mais franqueado quebrar, mais loja ele vai repassar, vai ganhar taxa de franquia, vai ganhar juros. Virou uma indústria. E ele lucra com tudo. Ficou bilionário deixando um rastro de pessoas quebradas”, completou.

Outra franqueada desabafa: “Perdi a vontade de viver, me sinto uma morta-viva. Sonhei por muito tempo, envolvi toda a minha família, todo mundo ajudou. Quando as coisas começaram a dar errado, eu não aceitei, insisti, achei que, me dedicando mais, eu viraria o jogo”. Hoje, ela tem uma dívida de R$ 750 mil. “Não sei como reagir, sinto medo e vergonha.”

Leia mais em: Ninguém acerta as seis dezenas da Mega-Sena e prêmio acumula em R$ 45 milhões

“Vai benzer”

Ao buscar ajuda para os problemas na operação da loja, uma franqueada ouviu da consultora da Cacau Show que deveria “se benzer”, como se o problema fosse pessoal, e não estrutural da rede. “Ela insinuou que era só comigo”, contou.

Outra franqueada, que perdeu tudo após as enchentes no Rio Grande do Sul, também relatou que, mesmo com a loja destruída pela água, foi cobrada pelas mercadorias perdidas. “A água foi até o teto. Ao invés de qualquer apoio, recebi ligações de consultores questionando o motivo de a loja estar fechada, sem vendas”, relatou. Além dos prejuízos materiais, teve que arcar com royalties, taxas e cobrança integral dos produtos perdidos.

“Essa franquia é desumana. Fora as perdas financeiras, tem a perda da saúde mental e física”, desabafa. “Pra mim, é praticamente uma pirâmide, uma organização criminosa, contam sempre com o fluxo de novos franqueados ingressando na rede. O produto e o cuidado com ele são o que menos importa. O negócio é cobrar taxas e mais taxas, multas… e assim eles vão extorquindo os desavisados.”

‘Seita’

De acordo com as reportagens do Metrópoles, o ambiente dentro da Cacau Show é descrito por vários franqueados como o de uma “seita”. As críticas, questionamentos ou qualquer discordância são tratadas com retaliações severas. Um dos relatos conta que franqueados passaram a receber lotes de chocolates com validade prestes a expirar ou produtos encalhados, o que inviabiliza a operação.

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A Justiça tem dado razão a alguns franqueados. O juiz Julio Roberto dos Reis escreveu em uma decisão: “É inequívoco que a política interna da demandada [Cacau Show] afronta o princípio constitucional da liberdade profissional, porquanto a restrição de crédito para fornecimento exclusivo de produtos, instrumento essencial da atividade econômica, sob a alegação de existência de litígios judiciais entre franqueado e franqueadora, não está amparada em motivo idôneo e constitui mero revanchismo (…), cuja finalidade não é outra senão inibir o legítimo direito constitucional de ação dos demandantes [franqueados].”

Os relatos também envolvem práticas intimidatórias. Uma das responsáveis pelo perfil A Doce Amargura recebeu, pessoalmente, a visita do vice-presidente da Cacau Show, Túlio Freitas, em sua loja no interior de São Paulo — a mais de 600 km da sede da empresa. Segundo ela, ele perguntou: “o que era preciso” para que ela parasse.

O que diz a Cacau Show

Em nota, a Cacau Show afirmou que “não reconhece as alegações apresentadas pelo perfil Doce Amargura em redes sociais. Somos uma marca construída com base na confiança mútua, no respeito e na conexão genuína com nossos franqueados”. E completou: “Cada experiência é única e pessoal. Prezamos por relações próximas, transparentes e sempre pautadas pelo diálogo.”

Sobre a visita do vice-presidente, a empresa informou que “o diretor comercial, Túlio Freitas, realiza visitas às lojas como parte de suas atribuições, com o objetivo de fortalecer o relacionamento com os franqueados e entender as necessidades do negócio. Essas visitas são realizadas de forma profissional e não têm qualquer relação com o perfil mencionado”.

A empresa reforçou que “não compactua com qualquer conduta que contrarie esses valores” e finalizou dizendo que “segue firme em seu propósito: vivemos para, juntos, tocar a vida das pessoas, compartilhando momentos especiais”.

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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