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Caiado reage após desembargador pedir extinção da PM por ‘abusos e excessos’

O governador de Goiás chamou o magistrado de “inconsequente” e defendeu um processo de impeachment contra ele.

03/11/2023 às 20:51

Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Em um julgamento do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) realizado nesta quarta-feira, 1º, o desembargador Adriano Roberto Linhares Camargo defendeu a extinção da Polícia Militar goiana por “abusos e excessos” em abordagens. As declarações revoltaram o governador Ronaldo Caiado (União-GO), que chamou o magistrado de “inconsequente” e defendeu um processo de impeachment contra Camargo.

Na sessão do TJGO era julgado um processo referente a uma abordagem realizada por policiais a um veículo, considerada excessiva pelo desembargador. Camargo afirmou que a polícia goiana comete “abusos recorrentes” e que um “gesto qualquer” é motivo para ser parado pelos militares.

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Ao falar sobre os depoimentos dos policiais envolvidos no caso, o desembargador disse que as versões dadas por policiais “não valem mais do que a de ninguém” e defendeu a extinção da PMGO. Camargo também disse que os militares seriam “invisíveis” por nunca serem atingidos em troca de tiros, enquanto que “morrem quatro, cinco e seis” nas operações de segurança pública.

“Aqui vai uma reflexão pessoal: para mim, tem que acabar com a Polícia Militar, e instituir uma forma diferente na área de investigação e de repressão do crime. A Polícia Militar é uma reserva técnica do Exército e é para enfrentar o inimigo, é este o seu papel. É por isso que nós vemos abusos e excessos seguidos, recorrentes. A Polícia Militar de Goiás é invisível. Vejam nos jornais a quantidade de confrontos e ninguém leva um tiro, e morrem quatro, cinco e seis. Não é por preparo não, nós sabemos porque é”, afirmou o desembargador.

Caiado pede impeachment de desembargador

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, reagiu duramente contra as falas do desembargador. Em um vídeo publicado no Instagram, o chefe do Poder Executivo estadual chamou Camargo de “cidadão desrespeitoso”, “agressivo” e “inconsequente”, além de sugerir que o magistrado estaria “cooptado” pelo crime.

“Neste momento em que você pede a extinção da nossa Polícia Militar do Estado de Goiás, você está atentando contra o Estado Democrático de Direito, ou você está cooptado por outras forças do crime no nosso Estado de Goiás. Sei que o Tribunal de Justiça não tem nenhuma conivência com a sua fala”, disse Caiado.

Caiado também afirmou que pediu para que o procurador-geral do Estado, Rafael Arruda Oliveira, elaborasse um documento para a corregedoria do TJGO em que solicita que o desembargador responda a um processo de impeachment pelo Conselho de Ética do tribunal.

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“Sua fala deve ser avaliada pelo Conselho de Ética do tribunal, que deve lhe impor impeachment, pois você não tem qualidades mínimas para responder com o título de desembargador”, disse.

Desembargador diz que não teve o objetivo de descredibilizar a corporação

Em nota divulgada após a repercussão do caso, o desembargador Adriano Roberto Linhares Camargo recuou e disse que a Polícia Militar merece “a consideração e a admiração de todos”. Acrescentou ainda que a instituição militar “deve continuar com o seu valoroso trabalho”. O magistrado ponderou que não teve o objetivo de afetar a credibilidade da corporação e nem “dos seus dignos integrantes”.

“Ante a intensidade dos debates travados em sessão de julgamento no dia 1º de novembro, quarta-feira, ao que tudo está a indicar, diante da repercussão que se seguiu, não houvera andado bem ao registrar uma impressão pessoal que não expressa adequadamente minhas ponderações sobre a quase bicentenária instituição”, disse. “Como toda organização civil ou militar, necessita de permanente estímulo e aprimoramento para melhor servir aos cidadãos”.

Já o TJGO afirmou em nota que as opiniões expressadas pelos seus magistrados durante julgamentos representam entendimento e convencimentos pessoais: “O Poder Judiciário estadual, que é representado pelo Presidente do Tribunal de Justiça, tem em elevado conceito a Polícia Militar do Estado de Goiás que, historicamente, tem prestado relevantes serviços à população goiana e merece o respeito e a consideração”.

A Polícia Militar, em nota, considerou os comentários do magistrado “inaceitáveis e desrespeitosos”.

“Tais comentários distorcidos e prejudiciais não possuem qualquer respaldo na realidade de nossa instituição, nem no compromisso diário e inquebrantável de nossos valorosos policiais. Repudiamos tais generalizações injustas e negativas. Com orgulho, reconhecemos que, graças aos incansáveis esforços de nossos policiais, Goiás se destaca como uma fortaleza de segurança no Brasil, atraindo cidadãos e impulsionando o vigoroso desenvolvimento econômico e social de nossa região”, frisou, em nota.

Estadão Conteúdo

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