Câmara aprova anistia a multas de caminhoneiros punidos pelos bloqueios de rodovias após as eleições
A proposta segue agora para análise do Senado.
- Foto: Joedson Alves/EFE
Resumo
A Câmara dos Deputados aprovou uma medida provisória que perdoa multas aplicadas a caminhoneiros durante as manifestações realizadas após as eleições de 2022. O texto também reforça a fiscalização do piso mínimo do frete, torna obrigatório o registro eletrônico das operações de transporte e prevê novas penalidades para empresas que descumprirem as regras do setor. A proposta segue agora para análise do Senado.
Notícias do Brasil – Motoristas autônomos, transportadoras e empresas do setor logístico poderão ser impactados por uma ampla reformulação das regras do transporte rodoviário de cargas aprovada pela Câmara dos Deputados. Entre as mudanças está a anistia de multas aplicadas a caminhoneiros em razão das manifestações realizadas em rodovias brasileiras após as eleições de 2022, além da criação de novos mecanismos de fiscalização e controle do mercado de fretes.
A proposta foi aprovada pelos deputados federais e seguirá para o Senado. Como o texto sofreu alterações durante a tramitação, uma eventual aprovação pelos senadores ainda dependerá de sanção presidencial para entrar definitivamente em vigor.
O que foi aprovado pela Câmara
A medida provisória tinha como foco inicial o fortalecimento da fiscalização sobre o cumprimento do piso mínimo do frete e a criação de mecanismos de controle das operações de transporte de cargas.
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Durante a tramitação, porém, foram incluídos novos dispositivos que ampliaram o alcance da proposta.
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Entre os principais pontos está o perdão das multas aplicadas a transportadores, caminhoneiros autônomos e empresas que foram penalizados em razão das paralisações e bloqueios ocorridos em 2022.
Segundo o relator da proposta, deputado Zé Trovão (PL-SC), muitos profissionais teriam sido prejudicados mesmo sem participação direta nos bloqueios, ficando impossibilitados de seguir viagem devido à interrupção das rodovias.
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O texto aprovado prevê o cancelamento das multas, incluindo aquelas já inscritas em dívida ativa ou em fase de cobrança.
Como fica o piso mínimo do frete
Outro ponto considerado central na proposta é o fortalecimento da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.
A medida reforça o caráter obrigatório do piso do frete, estabelecendo que os valores pagos aos transportadores deverão refletir os custos reais da atividade.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) continuará responsável pela atualização periódica da tabela e poderá realizar revisões sempre que houver alterações significativas nos preços dos combustíveis ou em outros custos operacionais.
Novas punições para quem descumprir a lei
O projeto também endurece as sanções aplicadas a contratantes que pagarem valores inferiores ao mínimo estabelecido.
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As penalidades poderão incluir multas elevadas, suspensão de registros e até cancelamento da autorização para operar em casos de reincidência considerada grave.
As novas regras também alcançam intermediadores e plataformas digitais que atuam na contratação de fretes.
A intenção é ampliar a fiscalização sobre toda a cadeia logística e reduzir práticas consideradas prejudiciais aos transportadores autônomos.
O que é o CIOT e por que ele será obrigatório
A proposta torna obrigatório o registro eletrônico de todas as operações de transporte por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT).
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Na prática, cada frete deverá possuir um código específico contendo informações detalhadas sobre contratante, transportador, valor negociado, forma de pagamento e prazo para quitação do serviço.
A medida busca aumentar a transparência e a rastreabilidade das operações, facilitando a fiscalização pelos órgãos reguladores.
Especialistas do setor apontam que a exigência também pode contribuir para reduzir fraudes e dar mais segurança jurídica às transações realizadas no transporte rodoviário de cargas.
Piso salarial para caminhoneiros de longa distância
O texto aprovado ainda prevê a criação de um piso salarial nacional de R$ 5 mil mensais para caminhoneiros que realizam viagens de longa distância.
A regra se aplica aos profissionais que permanecem mais de 24 horas fora da sede da empresa ou de sua residência em razão da atividade profissional.
A proposta busca estabelecer uma referência mínima de remuneração para uma categoria considerada estratégica para a economia brasileira.
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Declaração de Transparência
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